RESPONDA RÁPIDO Onde está o Coelhinho?
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sábado, 19 de abril de 2003
Ana Setti<br> Reportagem Local 
Localizar esta figurinha simpática e gentil, que atende pelo nome de Coelho da Páscoa, não é nada fácil. A se levar em conta o número de delícias feitas à base de chocolate e distribuídas por pais e amigos a crianças de todas as idades, nesta época do ano, ele parece possuir uma franquia universal com a sua marca. Só que isso não dá pistas sobre seu endereço. Ele não é como aquela outra figura lendária, igualmente querida em todo o mundo - o Papai Noel - que, como todos sabem, vive no Pólo Norte. Tampouco inclui-se entre os habitantes daquele mundo fantástico, denominado Fantasia, onde convivem, entre outros mais e menos conhecidos, o estressado coelho de óculos de ''Alice no País das Maravilhas'' e o longilíneo e folgado Pernalonga.
Será que, pelo sobrenome, dá para deduzir que ele é de Páscoa, a ilha? Aquela que fica no oceano Pacífico, a meio caminho entre a costa da América do Sul e o Tahiti, na Polinésia Francesa, e parece ser cheia de mistérios? Seria o refúgio do Coelhinho um deles? Mas à Ilha de Páscoa, também chamada de Rapa Nui, estão associados outros enigmas como seu formato triangular, com medidas exatas de 22km X 11km; sua superfície de estranhas asperezas, formada por crateras de vulcões que se extinguiram há mais de 1 milhão de anos; e seus Moais, esculturas gigantescas com formas humanas, capazes, segundo conta a lenda, de emanar energia benéfica para todo o planeta. Contudo, nada de coelhinho. A Ilha de Páscoa ou ''o umbigo do mundo'' por causa dessa tal energia foi assim batizada por seu descobridor, o navegador holandês Jakob Roggevven, que a encontrou justamente num Domingo de Páscoa, em 1722, no dia 5 de abril.
Se ele não é natural da Ilha, quem sabe localizar a moradia do Coelhinho não seja uma questão de lugar, mas sim de tempo. Voltando na história, vamos ver que se começou a falar em Páscoa no século 13 a.C., com os hebreus, que queriam perpetuar com o Pessach (Páscoa) o ato heróico de Moisés. Como conta a Bíblia, com a ajuda de Deus, Moisés liderou o movimento de libertação do povo judeu da escravidão no Egito, à época do faraó Ramsés. O Coelhinho, no entanto, nem passou por lá.
Será, então, que ele começou a aparecer na Páscoa cristã, tão vinculada, em sua origem, ao Pessach? Conforme relatam os evangelistas, por ocasião dos acontecimentos que culminaram com a prisão, morte e ressurreição de Jesus, os judeus comemoravam a sua festa de Páscoa. Assim, muitos símbolos e costumes daquela celebração acabaram se incorporando à do cristianismo. Inserida no calendário da Igreja Católica, a Páscoa ocorre no primeiro domingo depois da lua cheia, a partir de 21 de março, a data do equinócio... Na verdade, nem sempre, porque a data da lua cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Ecliesiásticas, conforme decisão do Conselho de Nicea, em 325 d.C., que relacionou a Páscoa a uma lua imaginária ou à ''lua eclesiástica''. Por isso, a festa é móvel, variando de período de ano para ano.
Embora o Coelhinho não tenha sido localizado nesse início de comemoração da data, duas importantes pistas puderam ser identificadas: a lua e a fertilidade. Os povos da Antiguidade tinham em muito boa conta o nosso amigo coelho. Alguns consideravam-no como um símbolo da lua; outros, como o da fertilidade. Essas duas idéias parecem ter exercido bastante influência na Páscoa cristã. A lua, em função de determinar a data da festividade e a fertilidade, porque também simbolizava a capacidade de multiplicação do número de novos discípulos.
Vai daí que o Coelhinho embarcou nas comemorações pascais e rodou o mundo, chegando ao Brasil no começo do século XX, pelas mãos dos imigrantes alemães que seguiram para o sul do país e, nesta época do ano, preparavam ovinhos coloridos e os escondiam, fazendo de sua busca um grande divertimento para as crianças. Será, então, que o Coelhinho da Páscoa reside no Brasil? Para as crianças, não há nenhuma dúvida a respeito. Gabriel, de 3 anos, e Heloísa, de 5, ''alunos'' da escolinha Primeira Infância, de Londrina, têm a reposta na ponta da língua: ''Ele mora numa toca'', dizem, convictos. Mas onde fica essa toca? ''Ora, no sítio!'' Como se vê, na verdade, não existe nenhum mistério.


