Respeitável público, hoje é o Dia do Circo
Para celebrar a data entrevistamos artistas circenses que contam suas histórias e falam da superação da crise gerada pela pandemia
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de março de 2021
Para celebrar a data entrevistamos artistas circenses que contam suas histórias e falam da superação da crise gerada pela pandemia
Felipe Soares Luiz 

Encantando todas as idades, dos mais novos aos mais velhos, o dia 27 de março é considerado o Dia do Circo. Data que serve para homenagear esse tipo de entretenimento que encanta tanta gente. O dia foi escolhido para homenagear, a primeiro momento, o palhaço brasileiro Abelardo Pinto, conhecido também como Piolin.
Piolin era considerado um grande palhaço, que se destacava por sua sua enorme criatividade cômica, habilidade como ginasta e como equilibrista. Ele fez tanto sucesso no Brasil e no mundo, que foi homenageado na Semana de Arte Moderna, em 1922, por Tarsília do Amaral, Mário Andrade, Anita Malfati e Oswald Andrade.
Mas voltando um pouco mais na história, os estudiosos dizem que os primeiros circos teriam surgido por volta do século III a.C., no Império Romano. Conhecido como Circus Maximus, a estrutura do local tinha a capacidade de receber mais de 150 mil pessoas. Os espetáculos eram diversos, havia exibição das carruagens, lutas de gladiadores, apresentações de animais e pessoas com os mais diversos talentos. Anos depois, em 40 a.C., o Circus Maximus deu lugar ao que conhecemos hoje como Coliseu.
No Brasil, a história do circo começou no século XIX quando muitas famílias europeias atracavam no país trocavando experiências e habilidades circenses. Os espetáculos eram sempre feitos conforme o interesse do público. Por conta disso, o “palhaço” ganhou uma cara diferente do que antes era visto na Europa. O palhaço brasileiro envolvia o público nas piadas e mímicas, era expansivo e tagarela, com um senso de humor que laçava o público aos poucos, enquanto o europeu era mais na dele, um palhaço sutil.
Em Londrina, a arte circense tem um peso cultural muito grande. Para o atual presidente da Associação Londrinense de Circo, Paulo Líbano, o circo tem um papel importante na sua vida pessoal e profissional. Foi em 2002 que Paulo deu o pontapé inicial na arte circense, através de um convite feito por um amigo. O projeto Circo Social, onde Paulo começou, utilizava a arte como ferramenta pedagógica para transformar o ambiente social, atribuir o resgate de valores humanos e romper com a inferioridade imposta sobre a essa categoria artística pela sociedade. Hoje ele é assistente social, artista circense e já fez cursos relacionados à área, em companhias como o Cirque du Soleil, além de participar na gestão do projeto onde começou. “O circo me oportunizou conhecer outras culturas, países e idiomas”, aponta.

DIFICULDADES NA PANDEMIA
Para Carlos Roberto, fundador do Barracão Tangará de Arte Circense em Londrina, os últimos anos foram difíceis, pois o aumento de programas de entretenimentos alternativos, como os parques de diversão, shows e alto custo de transporte de toda a estrutura impuseram aos circos uma realidade dura. “O circo sempre se reinventou, então, mais uma vez, ele está passando por um processo de reinvenção”, diz.
Os circos sempre foram um ponto de partida para novas ideias. Agora, no circo contemporâneo, como aponta Roberto, os espetáculos têm se tornado cada vez mais temáticos, sempre contando uma história e também ficando cada vez mais enriquecidos culturalmente.
Na pandemia, o setor artístico sofreu e ainda sofre duramente, seja na música, teatro, shows etc. Hoje, após um ano da pandemia pelo novo coronavírus, Carlos se mostra receoso quanto à volta do setor aos palcos no Brasil. “Todo esse setor tomou um baque violento. Estamos indo para o segundo ano de inatividade total e sem nenhuma perspectiva de poder voltar a atuar e exercer a profissão," esclarece.
O tempo parado, as coisas que estão por vir e a recuperação do espaço na sociedade são pontos que preocupam. O que antes já era difícil pela concorrência no meio de entretenimento, pode se tornar ainda mais complicado do que parece. Mas, apesar do pesares, o otimismo segue na veia do circense, sempre procurando uma saída para momentos difíceis.

ARTE CIRCENSE TAMBÉM PROMOVE A SAÚDE
A arte circense, além de muitas risadas, promove também saúde. Para Emerson Bueno, instrutor e administrador da Flick Escola de Circo de Londrina, além do espetáculo artístico, o circo tem vários benefícios para a saúde, como melhoramento do condicionamento físico, ajuda no desenvolvimento da consciência temporal, no aumento de força, além de contribuir para a redução do estresse.
Nas aulas de circo não é só chegar, fazer palhaçada e ficar pendurado em pedaços de panos e argolas. O circo é baseado em técnicas que englobam diversas atividades, como o malabarismo, acrobacia, trapézio e outras habilidades, e seus efeitos vão além da saúde física. “Psicologicamente, há a superação de medos e melhora da confiança, o que consequentemente fortalece a autoestima. Sem falarmos também dos aspectos socioafetivos, porque as aulas abrangem também a interação, sociabilização e cooperação entre os alunos”, diz Emerson.
O circo é recomendado para todas as idades, e acaba se tornando excelente para as pessoas que não querem, ou não podem, fazer os exercícios tradicionais nas academias. Além de promover boas risadas em momentos de lazer, o circo desenvolve os afetos e a criação de vínculos, boas habilidades e transformação corporal e mental. No fundo, como diz Carlos, “a missão do circo continua sendo essa, além de entreter e divertir, também deixar uma mensagem otimista para a sociedade”.
Em comemoração ao Dia do Circo, a equipe do Barracão Tangará vai fazer a apresentação do espetáculo 'Imaginarium', promovido pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura - PROMIC, contida na programação virtual do Nosso Vila Cultural. O espetáculo será transmitido neste sábado (27) através do canal do youtube do Tangara Produções e na página oficial do Barracão Tangará no Facebook, a partir das 20h. O show é gratuito e aberto a todos os públicos. O pessoal do Circo Londrina também faz o lançamento de um mini documentário 'Mulheres no Nosso Circo', contando sobre a trajetória de meninas que vivem da arte circense em Londrina, trazendo homenagens a grandes nomes do circo da cidade. A produção vai estar disponível neste sábado, a partir das 16h, no canal do youtube do Circo Londrina e também na página do facebook da Associação Londrinense de Circo.
Supervisão: Célia Musilli/ Editora
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Veja aqui um número de trapézio da Escola de Circo de Londrina
Confira aqui uma aula para crianças ministrada pela Flick Escola de Circo
Confira aqui um número da Tangará Produções:
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