Todo mundo se divertia e conhecia o duo ''Os Geraldos'' que, além de saber dançar o maxixe, conseguia contagiar o público. A dupla em questão chamou atenção da imprensa do início do século 20, reunindo o talento do cantor e bailarino Geraldo Magalhães e a castelhana Margarita.
Os dois artistas estiveram entre os primeiros que gravaram pela Casa A Eléctrica, a segunda fábrica de discos planos de cera da América Latina, instalada em Porto Alegre (RS).
A Eléctrica teria sido uma das fábricas mais importantes do mundo, principalmente com o início da Primeira Guerra Mundial, período em que as gravações deixaram de ser feitas nos Estados Unidos e Europa.
Além deles, outros nomes da Eléctrica, notáveis na época, se perderam no tempo, mas o trabalho de pesquisa do maestro gaúcho Hardy Vedana, põe luz sobre a história de pioneirismo, iniciada pelos irmãos italianos Savério e Emilio Leonetti.
O resultado é publicação do livro ''A Eléctrica e os discos gaúchos'', com apoio da Lei Rouanet. O material inclui três CDs, com 52 músicas originais remasterizadas e discografia, que no total inclui uma lista de 4.500 gravações.
O prédio onde funcionava a fábrica entre os bairros de Teresópolis e Glória, na capital gaúcha, foi tombado pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre num esforço do próprio Vedana e da Asssociação Museu da Imagem e do Som de Porto Alegre (Amispa).
Desde 1947, Vedana, que já morou em Maringá e hoje está radicado em Porto Alegre, pesquisa MPB e jazz. Antes da inauguração da fábrica, em 1914, um dos primeiros discos gravados foi por Arthur Budd.
Geraldo Magalhães teria sido o segundo cantor em importância a gravar pela Eléctrica. Ele formou dupla com Margarita, fazendo sucesso nos cafés do Rio de Janeiro.
''O primeiro a escrever alguma coisa sobre a Eléctrica foi o jornalista Ary Vasconcelos. Num trabalho de pesquisa fiquei sabendo que a primeira gravadora do Brasil foi a Odeon, no Rio de Janeiro, e que a fábrica gaúcha foi a segunda. Então, aproveitei as várias viagens que fiz com a minha orquestra durante 10 anos para pequisar sobre a Eléctrica na Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil'', lembra Vedana, ilustrando o livro com várias fotos.
A possibilidade de uma fábrica de discos no sul do país começou a tomar forma com a invenção das chapas por Emille Berliner, no século 19, inventor também do gramofone.
Entre os nomes que fizeram a história da Eléctrica, Moysés Mondadori, que foi batizado por Savério com o título de ''Cavaleiro Moysé''. ''Moysé foi um dos primeiros músicos a gravar tocando acordeon'', conta o autor do livro.

SERVIÇO:
- Livro ''A Eléctrica e os discos gaúchos''
Quanto - R$ 70,00
Mais informações - Tel. (51) 3336-5505

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