Por trás de uma xícara de café há muita história para contar - e bastante relacionada à formação do Paraná. Aproveitando a dúvida dos alunos se um pé de jurubeba em frente à escola seria na verdade um pé de café, os professores da Escola Municipal Elias Kauam elaboraram o projeto ''Aroma da Manhã'' para trabalhar a importância cultural e econômica da cafeicultura.
Integrando as oficinas pedagógicas, de forma interdisciplinar, e envolvendo os alunos desde a educação infantil, o projeto teve início no segundo semestre do ano passado e deve continuar até junho deste ano. Entre as atividades realizadas, estão a visita ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) - onde os estudantes puderam conhecer os mais diferentes tipos de café e formas de plantio -, pesquisas sobre a imigração e migração relacionada ao plantio do café, estudos cartográficos, exposição externa do trabalho, culinária à base de café e até desfile cívico. Jogos interativos, pesquisas na internet e poesias também fizeram parte do trabalho.
Numa mostra da exposição que realizaram, vidros com café sujo e com casca, café torrado e café em pó solúvel aguçam a parte sensorial dos alunos devido ao aroma característico do fruto, que além de ser uma bebida estimulante, tem propriedades medicinais. Na peneira com grãos, uma demonstração do processo de limpeza e seleção do café.
Dulcineia Aparecida dos Reis Silva, coordenadora das oficinas pedagógicas, que acontecem no Espaço Criança (anexo à escola), conta que a empolgação dos alunos surpreendeu e foi por isso que a escola decidiu dar continuidade ao projeto. ''Agora o enfoque maior é com os aspectos culturais dos imigrantes e migrantes que vieram para o Paraná, a importância da mistura de raças'', comenta.
''Fazemos um resgate das contribuições deles para o Brasil, discutimos o meio de transporte para chegarem até aqui, as noções de localidade, mas também vamos valorizar a realidade deles. A proposta é pesquisar sobre a formação do bairro em que moram, no caso o Jardim Novo Amparo'', explica a professora Franciele Cristina da Silva.
Sob a orientação da professora Camila da Silva, os alunos fazem uma atividade de história em quadrinhos sobre a vinda dos migrantes para o Paraná. O enredo fala de dois amigos que decidem trabalhar no Estado após receber panfletos de propaganda sobre as terras paranaenses ''que não tinham saúva''. ''Na verdade, existiam saúvas sim por aqui, que podiam destruir as plantações. As propagandas eram meio enganosas, só exaltavam a vegetação e o clima. Oferecia-se até moradia e alimentação de graça por um período para atrair os migrantes'', ressalta Camila.
Na oficina ''Encantando histórias'', que tem apoio do Promic, os alunos aprendem cantigas populares que têm o café como temática. Ao som do tambor caixa tocado por Dolores Bertone e do violão de Rafael Rosa, eles são pura animação ao executar um canto de trabalho sobre o café.
O tema também rendeu para as aulas complementares de alfabetização da professora Jéssica Domorato, em que o Hino de Londrina - que faz referência ao café - foi trabalhado com as crianças.
Na turma da professora Elisangela Luciana Pereira, o café virou até tema de festa de aniversário, além de servir de material para as aulas de português e matemática na aprendizagem sobre as medidas em uma receita culinária à base de café. Aproveitando os aniversariantes do bimestre, todos os alunos ajudaram a fazer um saboroso bolo de café para comemorar o parabéns que dessa vez teve cheirinho e gosto especiais.

mockup