Resgatar os princípios básicos da arquitetura, consagrados por gênios como Michelângelo Buonarroti e Leonardo da Vinci, foi a principal idéia de um grupo de professores do curso de arquitetura da Universidade Federal do Paraná (UFPR), através da exposição ‘‘Expressões - Arquitetos Usando Outras Formas de Expressão’’, que será inaugurada hoje, na Sala Arte Design e Cia.
Mais do que arquitetos, estes profissionais eram artistas completos. Através da pintura, escultura ou outras formas de expressão, conseguiam entender e perceber melhor o espaço. Com maneiras diversificadas de criar, estimulavam a percepção para a arte, tendo como principal motivação a satisfação pessoal.
‘‘A idéia é mostrar aos alunos que não há uma receita expecífica para a arquitetura’’, explica a professora de Meios de Expressão e Representação do curso de arquitetura, Ana Lúcia (Duli) Krodel Rech, uma das organizadoras da mostra. ‘‘É preciso que eles vejam que a melhor forma de se expressar pode estar ou não dentro da faculdade e nos livros’’, diz ela.
Para isto, a exposição irá reunir trabalhos de livre criação - como pinturas, fotos, poesias e esculturas -, feitos por ex-alunos e professores de arquitetura da UFPR e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), e vários outros arquitetos paranaenses de renome. A única exigência foi a de que ninguém apresentasse perspectivas ou desenhos técnicos.
‘‘É preciso resgatar a percepção, o desenho à mão livre e a parte artística do arquiteto’’, explica Ana Lúcia. Ela comenta que o avanço da tecnologia acabou limitando a arquitetura à parte técnica, enquanto que deveria continuar sendo essencialmente humana, como antigamente.
‘‘Não queremos a arquitetura copiada dos livros, que deixa as cidades todas iguais, mas a arquitetura onde a característica pessoal de cada profissional aparece forte’’, explica a professora. Em sua opinião, o curso de Arquitetura deveria fazer parte do departamento de Humanas e não de Exatas.
Por isso, ela aconselha aos seus alunos que sempre desenvolvam em paralelo atividades artísticas. ‘‘Não precisa ser de forma profissional e nem permanente’’. O importante é que as formas sejam trabalhadas de formas menos rígidas do que na arquitetura e as cores sejam escolhidas mais intuitivamente.
‘‘Até mesmo o ritmo da música pode servir para entender melhor o espaço’’, diz a professora. ‘‘Este método, muito utilizado antigamente, hoje parece arcaico, mas não é verdade, ele deve continuar sendo empregado na arquitetura’’.
Para tentar exemplificar tudo isso, profissionais como Carlos Emiliano de França, Cleverson Forlin, Dilva Busarello, Eduardo Silva, Fernando Patrial, Key Imaguire Júnior e Roberto Sampaio, entre outros, estarão mostrando suas manifestações artísticas. A professora Ana Lúcia também participa da mostra com pinturas e poesias.

mockup