Resgate da História e do cinema nacional
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quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Cleide Cavalcante Agência Estado 
Com o filme Guerra de Canudos o cineasta Sérgio Resende espera resgatar um episódio da História do Brasil contado apenas superficialmente pelos livros escolares. O destaque no elenco vai para os atores globais José Wilker (no papel do beato Antônio Conselheiro), Cláudia Abreu, Selton Mello, Tuca Andrada e Marieta Severo.
Resende deixa claro que a trama contém uma boa dose de ficção, mostrando a guerra a partir do drama de uma família de sertanejos - integrada por seguidores e adversários de Antônio Conselheiro. O toque real fica principalmente por conta da reprodução de várias falas tiradas dos diários escritos pelo beato.
Embora dois repórteres tenham coberto o massacre - Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, por O Estado de S. Paulo, e Manuel Benício, autor de O Rei dos Jagunços, pelo Jornal do Commércio, do Rio - o filme inclui mais um jornalista, um personagem fictício interpretado por Roberto Bomtempo. Segundo Resende, esse personagem tem mais semelhança com Benício - que denunciava certas manobras dos militares - do que com Euclides da Cunha.
Paixão José Wilker, escolhido para o papel de Conselheiro, mergulhou em dois livros para compor seu personagem: Os Sertões, é claro, e Memorial de Canudos, de T. Gaudenzi. Wilker admite que não consegue entender os motivos que levaram a tanta violência por parte de soldados e jagunços. Resende se apaixonou pelo tema ao ler Os Sertões, há cinco anos, quando fazia um filme para a TV britânica, em Londres. Ele garante que seu filme não toma partido e destaca o esforço de toda a equipe, que teve de filmar em pleno sertão baiano.
Na trama, não vai faltar o clássico triângulo amoroso, formado por Luísa (Cláudia Abreu), o jovem militar Luís (Selton Mello) e o soldado Arimatéa (Tuca Andrada). Os dois soldados são muito amigos, mas a situação torna-se constrangedora quando Luísa, casada com Arimatéa, se apaixona por Luís.
Luís é de uma família rica e resolve entrar na batalha para defender os ideais da República, conta Selton Mello, para quem essa produção resgata o cinema nacional. Wilker concorda: Guerra de Canudos tem tudo para se transformar num marco da história do nosso cinema.


