Com o filme ‘‘Guerra de Canudos’’ o cineasta Sérgio Resende espera resgatar um episódio da História do Brasil contado apenas superficialmente pelos livros escolares. O destaque no elenco vai para os atores globais José Wilker (no papel do beato Antônio Conselheiro), Cláudia Abreu, Selton Mello, Tuca Andrada e Marieta Severo.
Resende deixa claro que a trama contém uma boa dose de ficção, mostrando a guerra a partir do drama de uma família de sertanejos - integrada por seguidores e adversários de Antônio Conselheiro. O toque real fica principalmente por conta da reprodução de várias falas tiradas dos diários escritos pelo beato.
Embora dois repórteres tenham coberto o massacre - Euclides da Cunha, autor de ‘‘Os Sertões’’, por ‘‘O Estado de S. Paulo’’, e Manuel Benício, autor de ‘‘O Rei dos Jagunços’’, pelo ‘‘Jornal do Commércio’’, do Rio - o filme inclui mais um jornalista, um personagem fictício interpretado por Roberto Bomtempo. Segundo Resende, esse personagem tem mais semelhança com Benício - que denunciava certas manobras dos militares - do que com Euclides da Cunha.
Paixão José Wilker, escolhido para o papel de Conselheiro, mergulhou em dois livros para compor seu personagem: ‘‘Os Sertões’’, é claro, e ‘‘Memorial de Canudos’’, de T. Gaudenzi. Wilker admite que não consegue entender os motivos que levaram a tanta violência por parte de soldados e jagunços. Resende se apaixonou pelo tema ao ler ‘‘Os Sertões’’, há cinco anos, quando fazia um filme para a TV britânica, em Londres. Ele garante que seu filme não toma partido e destaca o esforço de toda a equipe, que teve de filmar em pleno sertão baiano.
Na trama, não vai faltar o clássico triângulo amoroso, formado por Luísa (Cláudia Abreu), o jovem militar Luís (Selton Mello) e o soldado Arimatéa (Tuca Andrada). Os dois soldados são muito amigos, mas a situação torna-se constrangedora quando Luísa, casada com Arimatéa, se apaixona por Luís.
‘‘Luís é de uma família rica e resolve entrar na batalha para defender os ideais da República’’, conta Selton Mello, para quem essa produção ‘‘resgata o cinema nacional’’. Wilker concorda: ‘‘Guerra de Canudos tem tudo para se transformar num marco da história do nosso cinema’’.

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