Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
Museólogos e engenheiros tentam recuperar um painel em baixo-relevo em bronze de 1,80 metro por 1,20 metro feito pelo artista plástico João Turin. Contando a história dos trabalhadores da estrada de ferro Curitiba – Paranaguá, no final do século XIX, a obra exigiu dois dias de muito esforço para ser retirada da antiga Estação de Roça Nova e trazida para a Casa João Turin.
De acordo com a diretora do museu, Elizabeth Turin, sobrinha-neta do escultor, o trabalho retrata como o túnel de Roça Nova foi aberto pelos operários da estrada de ferro. ‘‘O pai de João Turin, Giovani Baptista Turin, foi turmeiro (uma espécie de orientador) na construção da ferrovia. Como a abertura do túnel deu muita mão-de-obra, imagino que o pai contasse em casa como estava sendo realizado o trabalho. Baseado nesses relatos, João Turin fez o painel’’, conta Elizabeth.
Hoje, a estação está completamente desativada e abandonada, com o painel deixado para trás. Em relevo, a escultura foi instalado na entrada do túnel, no lado externo da estação, no ano do cinquentenário da construção. O trabalho retrata os imigrantes italianos no esforço de superar os perigos da serra e a esperança de uma vida digna.
Nascido em Porto de Cima, em 1878, João Turin foi o quarto filho de Giovani e Maria Turin. Em 1880, os imigrantes foram induzidos a trabalhar na construção da estrada de ferro, uma vez que havia carência de mão-de-obra. A herança cultural trazida da Itália, a habilidade, a artesania e a coragem dos imigrantes lhes permitiram desempenhar com qualidade as funções a eles confiadas, garantindo o trabalho mais difícil nos trechos mais complicados do acidentado relevo da Serra do Mar.
Com a perspectiva de um futuro promissor, longe das epidemias e do forte calor, Giovani Turin veio para Curitiba com a família, instalando-se numa chácara na Rua Dr. Pedrosa, onde parte do sustento provinha da terra. Dez anos após a chegada ao Brasil, Maria Turin morre deixando órfãos sete filhos menores.
A necessidade de ajudar a família obriga João Turin a trabalhar como aprendiz de ferreiro, torneiro, marceneiro e entalhador. Aos 19 anos fez bustos, cabeças, retratos e estátuas. Trabalhando como entalhador na movelaria de Henrique Henke, Turin teve a oportunidade de desenvolver seu gosto artístico.
Apaixonado caçador e taxidermista, Henke foi o primeiro em Curitiba a entalhar pássaros e outros animais em várias posições, por exemplo, engolindo suas presas. Talvez tenha nascido desse contato e observação o gosto de João Turin pela representação de animais na escultura, gosto esse que o levaria a conquistar os melhores prêmios de sua carreira artística e o conceito de reconhecido escultor animalista brasileiro.
‘‘Existem outros trabalhos do João Turin que ainda precisamos recuperar. Em Guarapuava há um índio guaracá, em várias cidades existem bustos, que não sabemos se estão sendo preservados corretamente’’, alega.Com dificuldade, foi recuperado um painel de João Turin da Estação de Roça Nova. A obra, agora, está em Curitiba na casa dedicada ao artista
Mauro FrassonO painel já retirado, numa sala do Museu de Artes do Paraná, esperando a estrutura do local definitivo ficar prontaMauro FrassonDois estudos de João Turin para o painel de Roça Nova, em grafite e aguada

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