Réquiem Para Um Sonho
Esqueça todos os filmes que você já assistiu sobre drogas. Nenhum deles pode ser comparado a Réquiem Para Um Sonho, do novato Darren Aronofsky, 33 anos. Com certeza, você nunca ouviu falar dele, mas ouvirá e muito. Darren está cotado para dirigir o novo Batman. A exemplo de diretores novos e ousados como Wes Anderson, David Fincher, Paul Thomas Anderson e Todd Solandz, Darren não vê o cinema como escapismo ou como forma de experimentar formas desgastadas. Ele o vê como um laborotário e inovações, invenções.
Réquiem Para Um Sonho é a maior prova disso. Adaptado do romance de Hubert Selby Jr., o filme gravita em torno de quatro personagens, interpretados por atores que jamais estiveram tão em forma: Jared Leto é Harry Goldfard, um garoto viciado em heroína, que ao lado do amigo Tyrone (Marlon Wayans), começa a traficar drogas para fugir da miséria. Sua namorada Marion (Jennifer Connelly), ainda mais frágil, é uma viciada em cocaína.
A euforia inicial do trio começa a evaporar quando a realidade de quem consome drogas se sobrepõe ao êxtase do vício, que culmina num aspiral de dor e decadência. Mas o personagem mais forte cabe a Ellen Burstyn (Sara Goldfard), mãe de Harry, ela vive sozinha e passa o dia assistindo televisão. A surpresa é quando ela ganha uma participação num programa televisivo tipo Silvio Santos. A possibilidade se torna uma obsessão: para perder peso e entrar no vestido vermelho que era o preferido do marido falecido com o qual ela quer aparecer na TV Sara começa a tomar pílulas para emagrecer e acaba viciada.
O que o espectador vê a seguir é um completo horror, traduzido à perfeição na imagem cadavérica de Ellen Burstyn, aqui em seu melhor trabalho como atriz. Com sua câmera precisa, domínio de técnica e soluções visuais econômicas e eficientes, o diretor mostra que não está fazendo cinema de repetição. Quer transgredir, mudar regras. Culminando com uma cena final de deixar o coração com o peso de um tijolo, Réquiem Para Um Sonho é um mergulho claustrofóbico no lado mais negro do ser humano.
Lançamento da Europa: Duração: 102 minutos.
ReproduçãoMenino é atormentado por um crime que não foi esclarecido
A Espinha do Diabo
A exemplo de filmes sobre drogas, os de suspense também parecem ser todos iguais, com algumas exceções como O Sexto Sentido e Os Outros. A outra é A Espinha do Diabo, de Guillermo Del Toro. Ambientado na época da Guerra Civil Espanhola e com veteranos no elenco como Marisa Paredes e Eduardo Noriega, o filme tem como cenário um velho orfanato de meninos para onde é levado o orfão Fernando Tielve, abandonado pelo seu tutor.
Logo que chega, o garoto começa a ser atormentado pelo fantasma de um menino que há alguns anos foi assassinado no local e cujo crime não foi descoberto. A esperança do garoto-fantasma é que Fernando descubra o assassino e desvende o crime. O aspecto barroco e a causualidade da trama possui um senso de realidade das histórias de assombração que nos eram contadas na infância.
Em essência, A Espinha do Diabo é sobre vingança e, também, uma parábola gótica sobre ambição e moral. Não espere sobressaltos, mas apenas sucessivos calafrios.
Lançamento da Fox. Duração: 106 minutos.
Celso Mattos





