Requião vai 'herdar' a reforma do Canal da Música
Curitiba - Uma década depois de ter sido totalmente reformado, o governo do Estado volta a investir na ampliação do Canal da Música, prédio que hoje abriga o Canal Paraná. A construção de três estúdios de gravação está consumindo investimentos de quase R$ 2 milhões. Como se não bastasse, há quem argumente que o material utilizado na atual reforma não é o mais adequado para a instalação dos espaços e pode comprometer a qualidade das futuras gravações da ex-TV Educativa.
O Canal da Música fica na Rua Júlio Perneta, 695, no Bairro Mercês, em Curitiba. O prédio, que abrigou a antiga TV Tupi na década de 60, tem 10 mil metros quadrados, um grande auditório com capacidade para 940 pessoas; dois auditórios menores, com capacidade para 154 e 117 lugares, respectivamente; três salas de audição, além de 40 pequenas salas para ensaios. Foi reformado pelo governo no final da década de 90, depois de vários anos de abandono.
A mais recente reforma, orçada em R$ 1,9 milhão, prevê a construção de três estúdios (dois na área interna e um na área externa, com paredes de vidro). O projeto é de João Guilherme Ficinski, filho do ex-secretário de Desenvolvimento Urbano Lubomir Ficinski. A mudança começou na primeira semana de julho, com previsão de término neste final do ano. ''Não sei se vai dar tempo de entregar todos os estúdios, talvez a conclusão da obra fique para o próximo ano'', diz a secretária da Cultura, Monica Rischbieter.
Funcionários que trabalham no prédio, e que preferiram não se identifcar, disseram que a situação da reforma é preocupante principalmente em dias de chuva, quando o espaço fica alagado. As condições de segurança também são motivo de preocupação já que por duas vezes houve queda do material utilizado (como barras de ferro) durante as obras. Mas o ponto alto das críticas está sendo o próprio projeto, que prevê paredes revestidas de vidro para os estúdios.
''Um estúdio geralmente precisa de tratamento acústico para que o som seja absorvido'', explica o produtor Luiz Henrique de Almeida, o ''Tarugo'', da GW, produtora. Segundo ele, paredes de vidros podem não comportar a reverberação do som, comprometendo a qualidade das gravações. A solução do problema, também terá que ser decidida pelo governador eleito Roberto Requião (PMDB). Ontem ele estava em Brasília, com dez audiências marcadas e não deu entrevistas para falar sobre o assunto.
Pelo cronograma do atual governo, o novo Canal da Música deveria ser entregue até o final do mês. ''Mas é uma obra complicada'', ressalva a secretária da Cultura Monica Rischbieter, que prefere não trabalhar em cima de prazos.
(K.M.)





