O jogo que mistura brincadeira, representação e imaginação será tema de palestra e debate amanhã na Biblioteca Municipal de Londrina
O Ministério da Justiça está alerta, os pais estão preocupados e os jogadores não entendem o motivo de tanto bafafá. O fato é que os jogos de RPG viraram caso de polícia na última temporada. Para tentar esclarecer a controvérsia, uma palestra será realizada amanhã na Biblioteca Municipal de Londrina com participação dos praticantes Juliano Barbosa Alves, Cassiano Canheti e Wagner Schimidt.
O bate-papo começa às 19h30. Quem nem desconfia o que seja RPG, também poderá participar do encontro, já que os convidados pretendem explicar o básico sobre o jogo. Juliano, formado em ciências sociais na UEL, dá aulas de RPG no colégio Marista. Tanto ele como Wagner abordarão o uso pedagógico dos role playing games. Para enriquecer o debate, estão previstas presenças de professores e psicólogos no evento.
A polêmica levantada pelo assassinato da estudante Aline Silveira Soares, em outubro do ano passado em Ouro Preto, provavelmente atraia um bom número de curiosos. Desde a morte da garota, muitas reportagens foram exibidas na TV associando o RPG a práticas – até hoje obscuras – como magia negra e satanismo. Da noite para o dia, o que antes era uma diversão sadia ganhou o epíteto de atividade condenável.
Tudo por culpa da polícia mineira, que atribuiu os motivos do crime à suposta violência contida no livro ‘‘Vampiro – A Máscara’’, usado pelo círculo de jogadores de RPG frequentado pela garota. ‘‘Isso é sensacionalismo e falta de informação de quem faz esse tipo de acusação. É o mesmo que dizer que alguém sai matando porque assiste a cenas de violência na televisão. Se uma pessoa não sabe diferenciar realidade da fantasia, o problema não está no jogo, mas em algum desvio psicológico dela’’ – diz Wagner Schimidt.
Cassiano Canheti acrescenta que já participou de eventos internacionais de RPG, em São Paulo, com a presença de 10 mil pessoas. ‘‘Quer dizer, então, que todas essas pessoas são assassinas em potencial?’’ – pergunta. Ele começou a jogar em 1991, quando não havia revistas especializadas nas bancas e muito menos traduções disponíveis de livros do gênero. ‘‘Sou um dos pioneiros na cidade. Jogo com meus amigos há anos, e nunca tivemos nenhum problema. Encaramos o RPG como uma diversão como outra qualquer’’ – diz.
Basicamente, o RPG é um tipo de entretenimento baseado na criatividade dos jogadores. É uma mistura de brincadeira, representação e imaginação. O participante vive uma história sem ter de obedecer a uma posição apenas passiva, sendo parte ator e parte roteirista de um texto que ainda não foi completamente escrito. O ‘‘Mestre’’, praticante que comanda a sessão, chega ao jogo com uma aventura já esboçada, extraída de um livro ou inventada por ele próprio.
Os outros jogadores representam cada um o papel de um personagem apresentando características de força, agilidade e inteligência específicas. A história contempla vários gêneros incluindo aventuras medievais, de ficção científica ou de super-heróis. Juliano lembra que o RPG estimula a sociabilidade. ‘‘Quem joga, gosta de reunir os amigos em casa para ficar horas se divertindo e gastando com pizzas’’ – diz. A palestra é aberta a toda comunidade

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