Antônio Mariano Júnior
Repertório popular, sim! Portanto, quem for hoje, às 10h30, no Cine-Teatro Ouro Verde vai poder ver e ouvir a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina se desvencilhar momentaneamente da sisudez erudita para executar um programa que contempla jazz, MPB e até música de trilha sonora de cinema. A regência ficará a cargo do maestro Vitor Gorni. Que também assina os arranjos e algumas peças. A apresentação faz parte do projeto ‘‘Concertos Matinais’’ desenvolvido pelo Departamento de Arte, Departamento de Comunicação e Casa de Cultura da UEL. A entrada é franca.
O programa tem tudo para agradar ao público, até mesmo aquela fatia mais exigente. As obras escolhidas foram: ‘‘Suíte para Trompete e Trio’’, ‘‘Fantasia nº 1 para Orquestra’’ (ambas de Vitor Gorni); ‘‘Adios Nonino’’ (Astor Piazzolla); ‘‘Caravan’’ (Duke Ellington); ‘‘Edelweiss’’ (Richard Rodger e Oscar Hammertein); ‘‘Caçadores da Arca Perdida’’ (da trilha Sonora do filme ‘‘Indiana Jones’’); além de uma coletânea de clássicos da Bossa Nova e dos Beatles. Para finalizar, um samba - ‘‘O Amanh㒒 (João Sérgio), um dos mais tocados e cantados no Brasil.
O concerto terá participação especial da pianista Magali Kleber, diretora pedagógica do 19º Festival de Música de Londrina, e do trompetista Arthur Fernandes que será o solista na peça ‘‘Suíte para Trompete e Trio’’. ‘‘Eu escolhi esse repertório pela minha formação e também para mostrar que uma orquestra sinfônica pode tocar qualquer tipo de música desde que arranjos adequados sejam feitos’’ - diz o maestro Vitor Gorni. ‘‘Procurei dar um toque sinfônico às músicas até mesmo pelas características e timbres de alguns instrumentos’’ - complementa.
Essa é a sexta vez que Vitor Gorni rege a Osuel, orquestra em que atua como clarinetista. A sugestão para que regesse o concerto de hoje partiu do maestro Norton Morozowicz, regente titular e também diretor artístico do festival de Música. ‘‘Não sou regente, estou regente. É gostoso mas não deixa de ser uma grande responsabilidade’’ - admite Gorni.
O músico iniciou seus estudos aos 13 anos e, um ano após, já fazia parte da Corporação Musical 7 de setembro. Era saxofonista. Os cursos de teoria e solfejo foram feitos no Colégio Mãe de Deus. Os estudos de composição e regência foram feitos com o maestro Othônio Benvenuto, um dos mais competentes que já passaram pela Osuel.
Em seu currículo constam ainda cursos de clarinete, fagote e prática de orquestra no Festival de Música de Londrina, no qual, inclusive, foi professor assistente no curso de Prática de Banda Sinfônica, entre 96 e 98. Na edição do ano passado, Gorni fez parte do corpo docente do evento na disciplina ‘‘Prática de Big Band’’.
Apesar de uma excelente base erudita (ele ingressou na Osuel em 86), Vitor Gorni nunca deixou de passear pela área popular. Ele foi um dos fundadores da Jazz Band (é saxofonista e líder) além de passar também pelo grupo Jazzmania. Como músico, participou de gravação de discos de artistas e grupos locais como Bernardo Pelegrini, Chaminé Batom, Kellen Zemuner e Eliane Camargo.
‘‘Músico que tem preconceito é músico de uma perna só’’ - brinca ele. ‘‘É claro que há músicas ruins, como essas pobrezas que se baseiam em coreografia e também os chamados pagodeiros e sertanejos de hoje’’ - afirma. Como compositor, Gorni já escreveu cerca de 30 obras instrumentais.
•Concerto Matinais com a Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina. Regência do maestro Vitor Gorni. Hoje, às 10h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 45). Entrada franca. O projeto ‘‘Concertos Matinais’’ é patrocinado pelo Consórcio União, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

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