REPERCUSSÃO - Londrina aceita o convite para dançar
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terça-feira, 19 de agosto de 2003
Ana Setti Rosa<br>Reportagem Local 
O público lotou o Cine Teatro Ouro Verde, na semana passada, para assistir o espetáculo da Escola e Companhia de Dança Flamenca Michel Cássin. Em uma única semana, a Escola Municipal de Dança de Londrina recebeu 10 novos alunos, o que significa triplicar o movimento médio de um ano. A Escola de Dança Trup Ballet, de Nádia Essada, registrou um aumento de 10% na procura por seus cursos, o que a estimula a abrir dois novos horários para street dance e formar mais uma turma de ballet clássico. Rhamza Alli, que ministra cursos de danças árabes em Londrina desde 1996, recebeu inúmeras solicitações de grupos de outras cidades, para que realize workshops visando a formação de professores. Como é possível observar, o I Festival de Dança de Londrina, realizado de 29 de julho a 3 de agosto, passou, mas o movimento que provocou continua agitando a cidade e motivando as pessoas a redescobrir o balé.
Tudo se acelera e se aprofunda quando se tem um tempo exclusivo para pensar o balé, diz Leonardo Ramos, diretor da Escola Municipal de Dança, analisando a repercussão do Festival que coordenou. Em sua opinião, foi um momento único para reavaliar conceitos, como a disciplina, por exemplo. Quem viu e apreciou a perfeição de gestos e passos apresentados pelos bailarinos por meio das variadas linguagens da dança, bem pode imaginar a disciplina que isso exige. São exercícios, repetições exaustivas, dedicação de corpo e alma para que se alcance o melhor resultado possível. A disciplina da dança, afirma Leonardo, é um valor a ser resgatado, porque pode ser transposto para a vida das pessoas, ajudando-as a alcançar seus objetivos. Outro valor que ganhou destaque sob as luzes do Festival foi a educação, vista sob o enfoque da necessidade de reforçar o profissionalismo na dança. Algumas pessoas, depois de certo tempo de aulas, já se sentem aptas a montar sua própria escola de dança, comenta Nádia, da Trup Ballet, o que aumenta a competição na área, mas diminui a qualidade do ensino oferecido. Como uma vitrine, complementa, o Festival propiciou às pessoas a oportunidade de discernir o que é e o que não é dança e, a partir daí, valorizar a importância da formação dos professores que atuam na área.
Na seqüência da formação, vem a busca da profissionalização, outro ponto crítico muito debatido no decorrer do Festival. A Associação de Profissionais de Dança de Londrina e Região Norte do Paraná foi apenas o começo de um movimento de valorização da profissão, que deve desembocar, como afirma Leonardo, tanto no fortalecimento da própria Associação - que iniciou o Festival com 7 associados e hoje já conta com cerca de 50 -, quanto na formação de um sindicato local, capaz de defender as fronteiras da dança e os direitos e deveres de quem exerce a profissão. Tudo isso, naturalmente, aprimora o conceito da arte, para crescente satisfação do público apreciador dos espetáculos, e coloca mais justiça na concorrência profissional, separando o joio do trigo em um espaço que, ainda hoje, configura-se, de acordo com Leonardo, como uma terra de ninguém. O Festival mostrou-se capaz de estimular a modificação dessa realidade, trazendo a dança para o centro das atenções, um lugar, ao que tudo indica, do qual não pretende sair tão cedo.


