Milton DóriaRui Resquilho e Rosimeire Couto: reflexão sobre o passado para desenhar um futuro melhorQuando o Brasil se prepara para comemorar os 500 anos de seu descobrimento estudiosos apontam para a necessidade de repensar e debater a identidade do povo brasileiro. ‘‘Este é o momento de refletirmos sobre quem somos nós’’, afirma a docente da disciplina de História do Brasil do curso de História da Universidade Estadual de Londrina, Rosimeire Angelini Couto. A reflexão e os debates deverão acontecer em conjunto com as comemorações que estão sendo preparadas pelos governos federal e estadual.
O conselheiro cultural da embaixada de Portugal no Brasil, Rui Resquilho, faz parte da comissão bilateral, constituída há três anos, para as comemorações do 5º Centenário de Viagem de Pedro Alvares Cabral, que estão sendo preparadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal em conjunto com o Brasil. Ele esteve recentemente em Londrina ministrando uma palestra sobre a ‘‘Viagem de Vasco da Gama’’, a convite do curso de história da UEL.
Segundo Resquilho, um dos grandes eventos das comemorações é o ‘‘Projeto de Resgate’’ em que dezenas de milhares de documentos do Brasil Colônia que estão em Portugal serão copiados e microfilmados e entregues ao Brasil. ‘‘Existem muitos documentos inéditos. Em uma década, mais ou menos, tempo necessário para uma pesquisa séria e detalhada, estes documentos irão permitir uma releitura da história do Brasil’’, acredita ele.
Até o ano 2000 serão realizadas diversas exposições dos mais variados temas - sobre Dom Pedro I, Dom Pedro II, Dom João VI, entre outras - um grande congresso nas mais diversas áreas de conhecimento - sociologia, direito, história - em cinco cidades portuguesas e cinco cidades brasileiras, ao mesmo tempo.
Também dentro das comemorações está a realização do Museu Aberto do Conhecimento em Coroa Vermelha, local do descobrimento do Brasil e onde foi realizada a primeira missa. Este projeto é exclusivamente brasileiro. Uma regata entre Lisboa e Porto Seguro, réplicas de caravanas construídas por Portugal e Brasil e a normalização dos livros escolares de Portugal e Brasil, sobre a história do descobrimento do Brasil, também são projetos das comemorações dos cinco séculos de descobrimento.
Além das diversas atividades que serão realizadas, Rui Resquilho compartilha com Rosimeire Couto a opinião de que o fundamental neste momento são os debates sobre a identidade do Brasil. ‘‘É a reflexão sobre seu passado que vai permitir um futuro melhor’’, afirma.
A docente da UEL levanta um outro ponto de reflexão: ‘‘Houve uma ruptura da história do Brasil com a chegada dos portugueses’’, afirma. Ela explica que o Brasil já tinha uma história antes de seu descobrimento. ‘‘Os europeus romperam com esta história. Houve a superposição da cultura européia sobre a indígena’’, afirma.
Segunda ela, isto aconteceu porque os indígenas não tinham instrumentos para resistir à dominação européia. ‘‘Era a escrita contra a oralidade, o canhão contra a flecha’’, frisa.(E.P.)

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