O prefeito Nedson Micheleti (PT) enviou no último dia 13 de novembro à Câmara Municipal de Londrina o projeto de lei 481/01, ''que autoriza a abertura de crédito adicional especial da quantia de até R$ 400 mil junto à Secretaria Municipal de Cultura''. O projeto foi aprovado em primeira discussão na última terça-feira por 15 vereadores. Dois se abstiveram (Renato Araújo (PPB) e Sandra Graça (PDT)) e quatro não estavam no plenário. Hoje o projeto será apreciado em segunda e última discussão, com a presença de representantes do filme e do secretário municipal de cultura Bernardo Pellegrini.
Segundo o projeto de lei, a abertura de crédito especial adicional se justifica por quatro motivos: Londrina irá atrair a atenção da mídia nacional nos próximos meses devido à realização do filme; a construção de uma cidade cenográfica reproduzindo Londrina nos anos 30 e 40 pode despertar um potencial turístico; a realização do filme irá gerar empregos, qualificando a mão-de-obra utilizada em ''Gaijin 2'' para futuras iniciativas audiovisuais na região; e, finalmente, mil londrinenses irão participar das filmagens, como figurantes e em pequenos papéis.
O custo total previsto das hospedagens é de R$ 800 mil. Se aprovado o projeto de lei, o crédito deve ser feito da seguinte forma: R$ 400 mil (50%) serão custeados pela Prefeitura, enquanto a rede hoteleira do município arca com os R$ 400 mil restantes. O artigo 4º do projeto de lei prevê a suplementação em até 10% do crédito para a produção do filme. Ou seja, o município poderá repassar até R$ 440 mil a ''Gaijin 2''.
O vereador Roberto Kanashiro apresentou, durante a primera discussão do projeto, uma emenda, sugerindo a permuta de tributos por hospedagem entre a Prefeitura e os hotéis. A emenda foi rejeitada, já que a legislação municipal não permite permuta referente a tributos.
''Gaijin 2'' será o primeiro longa-metragem em 35 mm a ser rodado em Londrina há muitos anos. No ano passado, Caio Julio Cesaro produziu o curta ''Cine-Paixão'', último trabalho a utilizar esse formato de película na cidade. Orçado em R$ 7 milhões, é certamente uma das três mais caras produções do cinema nacional nos últimos anos. Além da direção de Tizuka Yamasaki, o filme pretende trazer a Londrina ótimos profissionais como o fotógrafo Walter Carvalho (Central do Brasil) e a diretora de arte Yurika Yamasaki (Lavoura Arcaica). Além da promessa de transformar Londrina em um pólo cinematográfico.
Entretanto, essa promessa de criar um pólo cinematográfico a partir de ''Gaijin 2'' pode não se concretizar, como o que ocorreu em 1996, quando Tizuka dirigiu ''Fica Comigo'' no Espírito Santo. Ela prometeu a criação de um pólo cinematográfico naquele estado e até hoje outros projetos de cinema não foram desenvolvidos por lá. Além dessa dúvida, o leitor pode estar indagando: depois da Prefeitura por mais de uma vez se declarar ''sem dinheiro'', como o município poderá destinar R$ 400 mil a uma empresa da iniciativa privada? E 411 projetos inscritos na Lei de Incentivo à Cultura desse ano, que contarão com apenas R$ 1,5 milhão? Somados esses projetos, o valor estimado é de aproximadamente R$ 8 milhões.
O secretário de cultura Bernardo Pellegrini argumenta que a cidade ganhará muito com o filme, e que esse repasse da Prefeitura ajuda a produção, ''já que eles não podem usar o dinheiro captado; pois tem de completar um certo valor de recursos para poder começar a usar o dinheiro'', explicou.
O vereador Renato Araújo foi um dos poucos a criticar o repasse de R$ 400 mil: ''Inicialmente eu critiquei o projeto devido às emendas que eram inconstitucionais, já que não se pode compensar tributos. E depois eu lembrei que o município tem outras prioridades. A produção de um filme tem que ser bancada por alguém, não é dever do poder público''. Araújo também fez uma observação referente à publicidade do município após a produção do filme: ''O Ministério Público já responsabilizou o executivo quando este se utilizou de verbas públicas para promoção pessoal. Se o projeto for aprovado, é capaz de o MP depois responsabilizar a Prefeitura e a Câmara pelo repasse de crédito'', argumentou o vereador, em alusão ao que ocorreu em junho do ano passado, quando a Comissão Processante instalada no Legislativo cassou o mandato de prefeito de Antonio Casemiro Belinati após ser comprovado o uso de verbas públicas em sua promoção pessoal. Belinati responde a ações propostas pelo MP até hoje, após ser preso por duas vezes. O prefeito Nedson Micheletti e a vereadora Sandra Graça não retornaram as ligações da reportagem até o fechamento desta edição.

mockup