Renato Teixeira promete show de 'compositor'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de julho de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Ele gosta de Londrina e Londrina gosta dele. O violeiro, cantor e compositor paulista Renato Teixeira apresenta-se novamente na cidade acompanhado dos filhos, João e Chico Teixeira, interpretando sucessos de seus 41 anos de carreira, como ''Um violeiro toca'', ''Amanheceu, peguei a viola'', ''Frete'', ''Tocando em frente'', ''Amora'' e ''Romaria''.
Caiçara de Santos (São Paulo), como se auto-define, Renato Teixeira de Oliveira começou a compor na adolescência, quando morava no interior de São Paulo. Na década de 60 mudou-se para a capital do Estado e classificou a música ''Dadá Maria'', interpretada por Gal Costa (na época ainda Maria da Graça) no festival da TV Record de 1967. No mesmo festival, no ano seguinte, Roberto Carlos foi o intérprete de ''Madrasta'' de sua autoria. Ficou famoso por ser o compositor de ''Romaria'', gravada por Elis Regina em 1977. Com a fama, lançou no ano seguinte ''Romaria'', seu terceiro LP solo e primeiro a ter alguma repercussão. Teixeira gravou 22 discos ao longo de quatro décadas, alguns em parceria artística com nomes como Pena Branca & Xavantinho, Xangai, Zé Geraldo, Natan Marques e Rolando Boldrin. A parceria musical mais profícua, assegura Teixeira, foi com Almir Sater. Juntos compuseram vários sucessos como ''Um Violeiro Toca'' e ''Tocando Em Frente''. No ano passado gravou o primeiro DVD da carreira - ''No Auditório Ibirapuera'', com participações de Pena Branca, Joanna, Chitãozinho e Xororó e Leon Gieco.
Embora muitos o definam como um cantor e compositor de música caipira, Renato Teixeira esclarece que o seu estilo é folk (do inglês, povo), ou seja, o artista canta histórias que representam a cultura de um povo, mexendo sempre com os sentimentos mais profundos. Em entrevista concedida à FOLHA por telefone, Renato Teixeira fala do seu estilo musical, relembra o início da carreira, critica a produção sertaneja atual e adianta o próximo projeto da carreira.
Você já esteve algumas vezes em Londrina. Qual é a expectativa para mais um show na cidade?
É muito interessante tocar aí. É um povo que gosta de música. Já frequentava a cidade antes mesmo de começar a carreira e agora posso comparar a Londrina dos anos 70 e dos dias atuais.
O que o público pode esperar do show?
É um show de compositor. Toco acompanhado dos meus dois filhos, o Chico e o João, mais o Cássio Poleto no violino e o Garnero na bateria. Toco as minhas composições e alguns clássicos referenciais da cultura caipira, como Chico Mineiro, Cuitelinho. Do meu repertório não podem faltar ''Romaria'', ''Amanheceu, peguei a viola'', ''Tocando em Frente'', ''Frete'', ''Amora''. De vez em quando resolvo tocar uma inédita. É um show para se ouvir, não para se dançar. Como não é uma apresentação ensaiada, com marcações, tenho a liberdade para variar o repertório, improvisar, contar causos se o momento por propício...
Qual é a sua avaliação sobre os 40 anos de carreira, completados em 2007?
Completei no ano passado 40 anos de carreira e também lancei o meu primeiro DVD. Foi o sexto o disco mais vendido no Brasil no ano todo. A música para mim sempre foi muito generosa. Consegui viver de música. A impressão que eu tenho, depois de 40 anos, é que fiz a escolha certa (risos). A minha família sempre foi ligada à música, e foi neste meio que eu nasci e cresci. Eles ouviam muitas músicas brasileiras, Noel Rosa, Caymmi, as valsas brasileiras, Orestes Barbosa, muito Ary Barroso.
Como foi lançar a carreira durante a década de 60, durante os históricos festivais de música, um momento de grande efervescência cultural?
Cheguei a São Paulo no final de 67 e neste momento o grande evento da música brasileira eram os Festivais da Record e assim que cheguei a Gal gravou uma música minha. Ela estava começando; o Tropicalismo ainda não tinha acontecido. Foi um momento muito lindo. O Brasil todo participava dos festivais. O ''bicho pegava'' durante as competições. Era um outro tempo. Eu me sinto privilegiado de participar de alguma forma deste momento quando ainda estava tentando me achar musicalmente.
As suas composições estão inseridas no gênero folk?
A minha música não é sertaneja. Também não é caipira. Porque caipira é Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho. Não faço isso. Eu faço uma música que mexe muito com a memória cultural brasileira, a memória familiar, abordando temas que os brasileiros gostam de pensar. Isso é folk e não se circunscreve apenas à música; é uma filosofia de vida. É um gênero universal. Para variar, os expoentes máximos estão nos Estados Unidos. Mas para mim Leon Gieco e Bob Dylan têm o mesmo peso porque ambos representam magnificamente bem as tradições culturais do povo deles e fazendo música de uma forma progressista.
Qual é a sua avaliação da produção sertaneja atualmente no Brasil?
São músicas sazonais, que cumprem uma função e vão embora. Isso já existiu e sempre vai existir. O problema é quando começa a ocupar espaço demais. Aí ocorre uma banalização e os compositores vão deixando de criar certos recursos fundamentais para criar empatia entre o compositor e o público. São modulações; alguns detalhes técnicos da canção que você não pode passar por cima. A música popular precisa de alguns quesitos que a fazem ser popular. Um deles é tocar o coração do povo. Buscar a perenidade. Temos compositores perenes, como Noel Rosa, Dorival Caymmi, Ary Barros, Tom Jobim. Os compositores acabam, por facilidades comerciais, deixando de procurar isso e acabam desclassificando a qualidade de nossa música. Contudo, não é a mídia, nem os aproveitadores, os atravessadores que vão derrotar a música brasileira. Ela é imbatível. Já mudou a cara da música do mundo duas vezes - uma vez com a Carmen Miranda e a outra com a Bossa Nova. Depois do rock, o samba talvez seja o segundo gênero musical mais conhecido do mundo. Neste contexto, aparecem compositores bons que passam pelo seu tempo sem ninguém conhecer. Na contrapartida, você ouve falar de dois ou três que armam uma ''jogadinha'' que nunca mais se ouvirá falar deles. Mas este é um problema de um país como o nosso que está tentando chegar a um estágio de civilização mais decente. Esta tem sido a nossa luta.
Quais são os projetos da carreira?
Continuo viajando pelo Brasil como o meu show. O meu próximo projeto será um disco gravado em São João del Rei (Minas Gerais). Cantarei clássicos da música brasileira, de autores que não são muito conhecidos mas que são grandes sucessos. Estou curtindo muito isso. Em breve definiremos quando o DVD será gravado.
SERVIÇO
-Show de Renato Teixeira
Quando - Domingo
Onde - Aterro do Lago Igapó II, 20h
Quanto - Gratuito


