Renato Aragão volta em especial
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sábado, 21 de dezembro de 2013
Alex Francisco<br>Folhapress 
São Paulo - Longe da TV desde fevereiro, quando encerrou o "Aventuras do Didi" (Globo), o ator e humorista Renato Aragão, de 78 anos, comemora seu retorno com o telefilme "Didi, o Peregrino" (Globo). No especial, que vai ao ar amanhã, às 12h45, ele interpreta um artista de rua que diverte as crianças com seu cachorro, Pitomba. "Tinha o sonho de realizar esse filme porque fala de fé e de amizade", diz. "Não fiquei surpreso com o fim do 'Aventuras', pois era um programa que já não oferecia desafios. Gosto de adrenalina e ainda quero surpreender o público", complementa Aragão.
Com o término do programa dominical, Didi aceitou outro desafio proposto pela emissora carioca. "Vou produzir mais três telefilmes no ano que vem. A Globo, agora, pensa em exibir programas por temporadas, então, vou fazer um seriado em 2015."
No telefilme que vai ao ar amanhã, Didi vai ajudar sua grande amiga Rebeca (Monique Alfradique), cuja família tem um circo cheio de dívidas. A jovem será alvo de Cacá (Paulo Rocha), um homem rico que propõe salvar o circo se a moça se casar com ele. "Ele vai ajudar essa amiga após receber uma milagrosa recompensa. Depois, os dois farão o caminho de peregrinação a Santiago de Compostela [na Espanha] para agradecer a dádiva recebida", conta Aragão.
Monique Alfradique, que volta a trabalhar em um filme com Aragão, conta que também se emocionou ao visitar a cidade espanhola. "O caminho de Santiago é transformador e abençoado. Sou de uma família católica, então, em alguns intervalos, eu aproveitava para fazer orações", diz.
Mais próxima de Aragão nesse trabalho, Monique conta que pôde vivenciar o lado moleque do humorista. "O Renato está sempre fazendo graça. Ele comprou um spray de mau cheiro e soltou dentro da van da equipe sem que ninguém percebesse. Todo o mundo ficou constrangido, depois, caímos na gargalhada", diverte-se. "Sou da geração de 'Os Trapalhões'. Ele é um ídolo que faz parte da minha infância", diz ela, referindo-se à série que foi sucesso entre 1969 e 1994.
Em "Didi, o Peregrino", Aragão conta com a parceria de Dedé Santana, companheiro da época de "Os Trapalhões" (Globo). "Dedé e eu temos muita estrada juntos. Ele tem cadeira fixa nas minhas produções e deve atuar nos próximos filmes", adianta.
Segundo Aragão, o telefilme, que ainda tem Luigi Baricelli, André Gonçalves e Alexandre Slaviero no elenco, destaca-se por ser um produto mais próximo do cinema atual. "Tem um pouco de imagem de documentário quando retrata a peregrinação dos protagonistas, além de filmar as belezas da Espanha. Mas ainda é distante de um filme hollywoodiano", diz. "Assisti a 'Jogos Vorazes - em Chamas' no cinema e pensei sobre o quanto se gasta para fazer um longa como aquele, com tantos efeitos. Uma cena dele é o orçamento inteiro de uma produção minha", complementa.
Talento em família
Neste ano, Renato Aragão viu a sua filha, Lívian Aragão, 14 anos, estrear em novelas. Ela interpretou a estudante Marizé, em "Flor do Caribe" (Globo). O diretor de núcleo Jayme Monjardim foi até a casa do humorista pedir autorização para que Lívian pudesse atuar no folhetim. "Ela tinha acabado de voltar de uma escola de teatro nos Estados Unidos e estava determinada a fazer a novela. Foi de mim que ela herdou essa determinação toda", diz ele. "Eu assisti a cada capítulo. Era sagrado parar às seis da tarde para ver a novela. Gostei do desempenho dela", lembra.
Lívian, que conta com a torcida do pai para fazer mais uma novela, sente a responsabilidade de ser filha do artista. "Há quem bote pressão por eu ser filha dele, mas estou me dedicando para seguir bem na profissão."
Com 53 anos de carreira e conhecido por conquistar público de várias gerações, Aragão é categórico quando o assunto é a crise nas emissoras de TV. "Já enfrentei muitos problemas e vi coisas que revolucionaram a TV, como as transmissões a cores e o videoteipe. Hoje, sem dúvida, o público se divide entre a TV e a internet. E, para chamar a atenção do telespectador, é preciso fazer atrações diferenciadas. A TV está no limite de uma grande transformação", prevê.


