Renata: presente e desafio para Bárbara Paz
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de setembro de 2009
Patrícia Villalba<br> Agência Estado 
De todos os conflitos que plantou na sua ''Viver a Vida'', Manoel Carlos aposta boa parte das fichas na história de Renata, interpretada por Bárbara Paz. E apenas a história dela já daria uma novela inteira: aspirante a atriz ou modelo (o que aparecer primeiro), meio perdida e com baixa estima acentuada, ela está habituada a substituir a comida pelo álcool. Renata vive dois palmos acima do chão, tentando não perceber que seu namorado, o médico Miguel (Mateus Solano), é apaixonado pela namorada do irmão gêmeo, Jorge (Mateus Solano).
Personagens que têm relação conturbada com a bebida são uma constante nas novelas de Manoel Carlos e, entre os memoráveis, estão o Orestes de ''Por Amor'' (1997), interpretado por Paulo José, e a professora Santana, papel de Vera Holtz em ''Mulheres Apaixonadas'' (2003). Desta vez, o distúrbio que movimenta a trama é o que se tem chamado de drunkorexia, uma espécie de moda em Hollywood, com ''adeptas'' como Kristen Dunst e Lindsay Lohan.
É o primeiro papel de Bárbara numa novela da Globo. Sem fazer charme, ela admite que esperou muito por isso e que a chance demorou a aparecer por sua imagem ter ficado ligada à Casa dos Artistas, do SBT, do qual saiu vencedora em 2001.
As conquistas nunca foram fáceis para Bárbara. Recém chegada a São Paulo, vinda da pequena Campo Bom (RS) para seguir a carreira de modelo e estudar teatro, com apenas 17 anos, ela sofreu um acidente de carro que lhe deixou marcas no rosto. Portas foram fechadas, ela conta. ''Fui uma pessoa que me superei a vida toda. Por isso, quando me chamaram para a novela e eu vi que o tema seria superação, pensei que só pode ser mesmo o destino.''
Depois da novela Marisol você deu um tempo na TV. Foi uma decisão consciente ?
Não foi só para descansar minha imagem, mas eu mesma precisava descansar. Saí do reality show para a novela mexicana (''Marisol''). Nunca tinha feito novela, e gravava 35 cenas por dia. Não tinha noção, não tinha ninguém lá para me dizer como fazer. Foi tudo muito over. Não estava feliz. Depois de um ano, não sabia mais como lidar com tudo aquilo. Fiquei três anos fora da TV, fazendo teatro, até que aparecesse um convite bom. Agora, estou no lugar onde todo mundo quer chegar. É um grande momento para mim.
Sua personagem é ''drunkoréxica'', algo pouco conhecido. Como tem sido a construção dela?
Nunca tinha ouvido falar na doença. Fui a um psicanalista, mas existem especialistas porque a drunkorexia não é um termo médico - existe a anorexia e o alcoolismo, separados. Nos Estados Unidos tem clínicas especializadas. Fui a um grupo de ajuda no Hospital das Clínicas, e conheci algumas meninas que sofrem disso. E prestei muita atenção em gente muito próxima de mim, que é muito magra e não se alimenta, por isso, quando bebe fica alteradíssima. Já ouvi muita gente dizer 'sou drunkoréxica' como se isso fosse bom''.
É quase uma moda
É, sim. Vi filmes, procurei referências, mas tudo está dentro de mim. Já fui adolescente, já tomei os meus porres, sei como é isso. O ator busca o que está dentro dele. Num certo sentido, a personagem é bem parecida comigo: quer ser atriz, anda no mundo da moda, mas faz testes e não consegue nenhum trabalho.
Daí, ela torna-se alcoólatra.
A Renata não é exatamente uma alcoólatra. Ela sofre de distúrbios alimentares, não é uma bêbada de botequim. Ela nem bebe tanto assim, mas substitui o alimento pelo álcool.
Bêbado é um dos papéis mais difíceis de fazer. Como tem se preparado para as cenas?
É, corre o risco de ficar over. Converso muito com os diretores da novela, porque a ideia é que ela não vire uma bêbada de botequim. Ela fica alterada, passa mal, mas não é uma bêbada.


