Renascendo das cinzas
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domingo, 10 de fevereiro de 2013
Marcos Roman<BR> Reportagem Local 
Ao saber da tragédia que transformou em escombros os 60 anos de história do Teatro Ouro Verde, o maestro japonês Daisuke Soga compôs a Sinfonia Phoenix. A composição foi apresentada no anfiteatro do Zerão, em julho do ano passado, durante a 32º edição do Festival de Música de Londrina (FML). Assim como na lenda do pássaro que ressurge das cinzas e que inspirou o músico, os produtores dos festivais de teatro, música e dança de Londrina deram exemplos de superação e profissionalismo. Sem poder contar com o mais tradicional palco da cidade, eles criaram espaços adaptados e conseguiram manter o cronograma dos eventos que juntos atraem um público estimado em 100 mil pessoas.
Na busca de espaços alternativos para garantir as apresentações dos concertos de gala do FML, até o altar da Catedral Metropolitana de Londrina foi usado como palco. "Tínhamos que encontrar num espaço que abrigasse as cerca de duas mil pessoas que costumavam lotar, a cada noite, o Teatro Ouro Verde nos tradicionais concertos de abertura e encerramento do FML. Após pensar em várias possibilidades chegamos à conclusão de que a Catedral seria o espaço ideal para o evento devido à sua localização, acústica e capacidade de público", conta Lilian Almeida,presidente da Associação de Amigos do Festival de Música de Londrina e coordenadora pedagógica do evento.
Lilian diz que apesar da ótima acolhida na igreja, a perda do palco do Teatro Ouro Verde causou diversos prejuízos ao FML, que acontece no mês de julho e atrai um público de aproximadamente 30 mil pessoas. "Além da Catedral realizamos apresentações em locais históricos da cidade e retomamos as apresentações no anfiteatro do Zerão, onde recebemos um público tão grande que ficamos motivados a repetir a experiência nas próximas edições do festival. Apesar de não registrarmos diminuição de público e nem do número de alunos, sentimos que nada será capaz de suprir a falta do Teatro Ouro Verde. Tivemos um prejuízo cultural e afetivo incalculável com o incêndio do teatro", avalia Lilian.
Além do impacto emocional, a tragédia ocorrida com o Teatro Ouro Verde gerou um prejuízo financeiro de aproximadamente R$ 50 mil aos organizadores do Festival Internacional de Teatro de Londrina (Filo). "Adaptando outros espaços para receber as peças, conseguimos manter a média de apresentações de outras edições do festival e promovemos 126 espetáculos no ano passado. Porém, tivemos um grande gasto para criar estruturas de palco, iluminação e outros detalhes técnicos porque, ao contrário do Ouro Verde, a maioria dos locais não tinha esse aparato técnico. Isso também gerou um desconforto para o público que teve que assistir as peças em arquibancadas de madeira que nada lembravam as confortáveis poltronas do Ouro Verde", destaca o diretor do Filo, Luiz Bertipaglia. Obrigado a cancelar a apresentação de algumas companhias de teatro por causa do incêndio do Ouro Verde, Bertipaglia diz que conseguiu atender a média de 65 mil espectadores do festival com apresentações em teatros menores e em locais públicos. "Alguns espetáculos que exigiam alguns critérios técnicos que somente o Teatro Ouro Verde oferecia tiveram que ser cancelados. Isso não chegou a afetar a qualidade do evento, porém a tristeza com a tragédia do Ouro Verde não atingiu apenas os londrinenses. Recebemos telefonemas e e-mails de artistas de vários lugares do Brasil e do mundo. Todos lamentando a grande perda que tivemos", relatou.
Completando 45 anos de existência, o Filo 2013 deve receber 40 companhias nacionais e internacionais de teatro, segundo o diretor do evento. "É a mesma média que recebemos todos os anos. Tivemos tempo para criar uma programação adequada à atual realidade. Porém o sentimento de perda ainda é grande, pois os grandes espetáculo do festival sempre aconteceram no Ouro Verde. Esperamos que em 2014 ele já esteja reconstruído", afirmou Bertipaglia.
Além dos espetáculos que aconteciam durante o Festival de Dança de Londrina, o palco do Ouro Verde também servia de cenário para as apresentações de fim de ano dos alunos da Escola de Dança da Funcart (Fundação Cultura Artística de Londrina). "Tivemos um atraso na liberação de verbas do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) e por isso antes mesmo do incêndio tivemos que adiar para 2013 as apresentações de companhias de outros estados e países. Realizamos a edição do ano passado apenas com grupos locais e promovemos uma noite de clássicos no anfiteatro do Zerão, com um grande público. As demais atrações se apresentaram no Circo Funcart, assim como os espetáculos de encerramento do ano letivo da Escola de Dança da Funcart", afirma Danieli Pereira de Souza, coordenadora do Festival de Dança e diretora de produção da Funcart.
Ela destaca os transtornos gerados com as improvisações. "Ao invés das quatro apresentações de fim de ano que realizávamos no Ouro Verde e que reuniam cerca de sete mil pessoas, tivemos que realizar 10 apresentações no Circo Funcart para metade desse público, pois o local não consegue abrigar muita gente. Isso causou um grande cansaço aos cerca de 500 alunos da instituição e um desconforto para o público e neste ano também vamos ter que trabalhar dessa forma. Aguardamos com ansiedade a reconstrução do Ouro Verde, pois Londrina merece um espaço adequado que atenda à qualidade dos espetáculos promovidos na cidade", salienta Daniela.


