Mariana Lima é do tipo que analisa com cuidado os convites de trabalho que aparecem. O teor artístico dos projetos é o que conduz sua carreira. Por conta disso, produzir arte com um grupo de amigos que quer ir além do óbvio torna-se um prato cheio para atriz. E é exatamente dessa forma que ela enxerga sua participação em "O Rebu", próximo "remake" das 23 horas, que tem estreia prevista para o dia 14 de julho. "Toda a ação da novela se passa em apenas algumas horas. A ideia era ousada para os anos 1970 e continua sendo. Tudo tem relevância e profundidade. Nunca fiz nada parecido na tevê", conta. Na pele da "promoter" Roberta, Mariana estará à frente de tudo o que é relacionado à misteriosa festa na casa da poderosa Ângela, de Patrícia Pillar, uma reunião de personalidades, milionários e tipos excêntricos, regada a álcool, drogas e sexo. O resultado da celebração é o súbito assassinato de um dos convidados. "Roberta é uma mulher em explosão, pilhada e ligada no 220 V. Por ser muito íntima da Ângela e saber muito sobre as pessoas que foram convidadas, acaba tornando-se uma provável suspeita do crime", conta.
Escrita originalmente por Bráulio Pedroso, em 1974, a nova versão é assinada por George Moura e Sérgio Goldenberg. E conta com dois velhos conhecidos de Mariana na direção: José Luiz Villamarim e Walter Carvalho, que ela conheceu quando estreou na tevê, na pele da ingênua Liliana de "O Rei do Gado", de 1996. Os olhos de ressaca, a indefectível pinta no canto da boca e a ironia fina da atriz continuam intactas. Mas, aos imperceptíveis 41 anos, Mariana mostra o quanto amadureceu. A jovem experimental que não se adaptou à tevê e emendou peças "cabeças" e conceituais ainda existe, mas ganhou versatilidade, confiança e calma para administrar as dubiedades da carreira de atriz. "Eu era muito rebelde quando fiz 'O Rei do Gado'. Sofria por estar na tevê e foi tudo muito angustiante. Depois, fui chamada para fazer coisas que não gostei tanto. Mas, há alguns anos, tudo começou a mudar", explica. O ponto de virada foi a novela "Cordel Encantado", de 2011. Desde então, Mariana está cada vez mais presente nos estúdios de tevê, em séries como "O Brado Retumbante", nas duas temporadas de "Doce de Mãe" e em "Sessão de Terapia", do GNT.
O esquema de trabalho em "O Rebu" assemelha-se ao de uma série, mas com um largo orçamento. Prevista para ter apenas 37 capítulos, a mini-novela foi quase totalmente gravada em Buenos Aires, Argentina, em suntuosas locações como o Palácio Sans Souci e em algumas cidades próximas da capital. "As gravações são carregadas de um experimentalismo que parece não caber na tevê, mas funciona. Gravamos sem muitas pausas, de forma intensa, vivenciando as loucuras propostas pelo roteiro e na condução dos diretores", detalha a atriz, que divide a cena com um elenco escolhido a dedo pela equipe de autores e direção, encabeçado por Patrícia Pillar e Tony Ramos – e que ainda conta com Vera Holtz, José de Abreu, Jesuíta Barbosa, Maria Flor, Marcos Palmeira e Sophie Charlotte nos papéis centrais. "Viajar com a equipe sempre agrega ao trabalho. Fazíamos tudo juntos: almoço, café da manhã, jantar... Essa proximidade dá uma 'liga' diferente ao projeto", valoriza.
Atualmente, gravações adicionais continuam sendo feitas de segunda a sábado no Projac – Central Globo de Produção, no Rio de Janeiro. A intensidade do trabalho é justificada pelas minúcias do roteiro: a novela se passa durante a festa, mas conta com muitas cenas de "flashback" detalhando cada personagem. Paralelamente à tevê, Mariana já começa a arquitetar sua volta ao teatro. Na nova peça, que tem previsão de estreia para outubro, ela dividirá o palco com Andréa Beltrão e Malu Galli. "A peça ainda não tem nome, mas o projeto se chama 'Nômade'. O texto está sendo escrito para nós três e trata sobre o universo de pessoas que nunca param. E aí engloba tudo: atores, ciganos, médicos sem fronteiras", adianta, com entusiasmo.

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