Relíquias psicodélicas
Nelson Sato
de Londrina
Quem tem os cinco antológicos primeiros álbuns dos Mutantes, pode ficar um pouco desapontado. Mas só um pouco, afinal Tecnicolor não traz nenhuma canção inédita mas reúne versões em inglês de clássicos da banda jamais registradas em disco.
No encarte, inclui ilustrações de Sean Lennon, filho de John e fã do grupo. Foram cinco anos de espera para lancá-lo, desde a descoberta da fita-matriz pelo jornalista Carlos Calado, que fazia pesquisas para escrever a biografia A Divina Comédia dos Mutantes.
Tecnicolor foi gravado em Paris em 1971, com produção do inglês Carl Ohmes e com a intenção de projetar os meninos brazucas no exterior. Chegou às lojas esta semana com uma qualidade técnica impecável, o que acentua as virtudes dos arranjos vocais e instrumentais, particularmente em faixas como Im Sorry Baby (Desculpe Babe), Le Premier Bonheur du Jour e I Feel A Little Spaced Out (Ando Meio Desligado).
Nesta última, composta sob efeito de maconha (segundo o livro de Calado), fica mais descarado o roubo da linha de baixo de Time of the Season, um sucesso da banda norte-americana The Zombies. A referência evidencia o apetite psicodélico que estimulava Rita Lee, Arnaldo e Sérgio Dias Baptista nos anos loucos.





