No quarto dia a bordo, já quase na Turquia, alcançamos a tranquila Pátmos, uma autêntica ilha grega, daquelas que povoam o imaginário dos que sonham em conhecer a Grécia. Pontilhada pelas típicas construções brancas do Dodecaneso e com uma população de 3 mil habitantes, ela reúne colinas, praias de areias douradas e três povoados (Chora, Skala e Kampos) com 365 igrejas – uma para cada dia do ano.
A religião reina absoluta em Pátmos. A ilha é conhecida principalmente por abrigar o imponente Monastério de São João, monumento que atribui ao lugar o título de ‘‘Jerusalém do Mar Egeu’’, e que atrai 8 mil visitantes, entre turistas e devotos cristãos, apenas durante a alta temporada.
Já que conhecer Pátmos e não ir ao monastério é como viajar a Roma e não ver o Vaticano, não perca tempo. Assim que desembarcar vá direto para lá. Vale lembrar que, para entrar no templo sagrado, é necessário trajar roupa discreta, de preferência calça comprida e camisa, ou camiseta com manga. Se a vestimenta não estiver de acordo com os costumes, os monges não hesitarão em pedir para que o turista desavisado vista uma das largas calças disponíveis no local. Pelo menos não se perde a viagem.
A construção do monastério teve início em 1088 por iniciativa de St. Cristódulos em homenagem a São João, que, de acordo com historiadores, viveu lá por volta do ano de 95. Apesar de haver controvérsias quanto à veracidade do episódio, diz-se que o discípulo de Jesus Cristo teria se exilado em Pátmos por dois anos, por causa da retaliação do imperador bizantino Domitian.
Em uma caverna no alto da montanha, ele teria escutado a voz de Deus pedindo para que escrevesse um livro (o Apocalipse, o último livro do ‘‘Novo Testamento’’) com as revelações que ele iria fazer. Prova disso, dizem, é a rachadura que pode ser vista na gruta sagrada, fruto da força da voz divina, que simboliza a santa trindade.
Para os visitantes, a principal atração na pequena gruta é assistir ao ritual de celebração realizado hoje por um monge, que reza de costas para os fiéis, como em ato de penitência. O cenário é inspirador: um altar com peças de ouro, uma pintura de santos envoltos por vinhedos, além do grande afresco do Apocalipse (palavra grega que significa revelação), de autoria do artista Thomas Bathas, que mostra a figura de Deus na aparição para São João. Não é permitido fotografar esse templo. Lá o silêncio é peça-chave para respeitar as orações dos fiéis.
Além da caverna, onde o apóstolo morava, o magnífico conjunto arquitetônico é formado por outros edifícios. Entre eles a Igreja, em estilo ortodoxo e bizantino, com valiosos afrescos e mosaicos de conceituados artistas como El Greco; o Museu, que conta com mais de mil manuscritos religiosos, indumentárias, valiosa coleção de jóias e outras preciosidades como uma cruz cravejada de diamantes doada por Catarina da Rússia; e a Biblioteca.

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