Relembrando a geada de 1975
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
O episódio mais traumático da história de Londrina e região chega às telas em forma de documentário. Dirigido por Adriano Justino, o média-metragem ''Geada Negra'' reconstitui o fenômeno meteorológico ocorrido em 1975, que dizimou os cafezais e provocou uma tragédia social sem precedentes no Norte do Paraná.
Depois de estrear na Cinemateca de Curitiba, ''Geada Negra'' circula em exibições itinerantes pelas unidades do Sesc do Estado. Na próxima semana, chega a Londrina, onde fica em cartaz de segunda a sexta-feira, às 19h30, com entrada gratuita.
Finalizado no ano passado, o filme realiza um minucioso levantamento histórico mesclando imagens de arquivo e depoimentos de personalidades que estiveram no olho do furacão. ''Levei 5 anos para fazer o documentário, já que a pré-produção toma muito tempo. Fiz uma pesquisa extensa em jornais, museus e emissoras de televisão. É um tema-tabu, embora músicas e peças de teatro já o tenham abordado. Ninguém havia feito um documentário sobre o assunto'', diz o diretor nascido em Apucarana.
Em narrativa cronológica, o filme contextualiza o período: na primeira parte mostra a euforia em torno da cafeicultura e o avanço da modernização no campo; em seguida trata do fatídico dia 17 de julho de 1975 trazendo à tona todos os efeitos sociais que se seguiram ao fato, como as perdas econômicas dos produtores e o êxodo de trabalhadores rurais.
''Foi triste. Mais de 300 mil famílias ficaram sem emprego. Em 5 anos, três milhões de pessoas tiveram que deixar o campo. A geada acelerou um processo que já vinha da mecanização da agricultura. O fenômeno é sentido até hoje. O próprio MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), que surgiu primeiramente em Cascavel, é fruto dessa migração de mão-de-obra'', salienta.
O filme inclui depoimentos dos secretários de Planejamento e Agricultura da época, além do presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais e do jornalista Jota Oliveira. Um dos entrevistados é Jayme Canet Jr., que era governador do Paraná e também cafeicultor. ''Ele pegou a bomba na mão. Resgatei imagens em que sobrevoa as plantações destruídas, desce em Londrina e é cercado por cafeicultores. Apesar da fama de durão, deu um depoimento emocionado'', conta o diretor.
Justino pretende sensibilizar a Secretaria de Educação a adotar o documentário como material didático para distribuição em instituições de ensino. ''Acho que ele poderia ser muito útil aos professores'', acredita. Além de Londrina, estão previstas exibições em Pato Branco (dia 25), União da Vitória (dia 25), Ponta Grossa (dia 29) e Curitiba (19 de outubro). Aos interessados, o DVD de ''Geada Negra'' pode ser adqurido pelo site oficial: www.geadanegra.com
Serviço
Documentário ''Geada Negra''
Quando - de 15 a 19 de agosto, às 19h30
Local - Sesc (Rua Fernando de Noronha, 264)
Entrada - gratuita
Informações - (43) 3378-7800


