A novela ''A Metamorfose'', de Franz Kafka, já foi definida como uma história que começa mal e termina pior ainda. Considerada uma das obras mais perturbadoras da literatura mundial, a narrativa recebeu adaptação teatral do grupo Circo de Palhaços do Picolino, que estréia a montagem amanhã em Londrina.
O espetáculo abre temporada, às 20 horas, no Teatro Zaqueu de Melo permanecendo em cartaz até o dia 17 de agosto. A peça integra um projeto que resgata a trajetória do palhaço Picolino, personagem criado pelo ator circense Ricardo Otello Queirolo (1923-2003) que fez grande sucesso nos picadeiros e na televisão paranaense entre as décadas de 60 e 70.
Além da peça, será inaugurada uma exposição com o acervo do artista no próximo dia 12. Na trama de ''Metamorfose'', o caixeiro-viajante Gregor Samsa trabalha para sustentar os pais e a irmã, e, numa manhã acorda transformado em um inseto. A metamorfose do personagem é narrada já na primeira frase do livro numa das aberturas mais radicais da história da literatura.
Na montagem dos londrinenses, o susto ganha contornos humorísticos. ''A história é muito engraçada e cheia de significados. Fizemos uma versão para palhaço, o que não quer dizer que adotamos uma abordagem fácil. Aprendemos com Picolino que o bom palhaço consegue criar uma complexidade em seu número'', diz o diretor Marcos Martins. A escolha do texto, segundo ele, teve o objetivo de desafiar o elenco.
Picolino dirigiu a trupe de 1999 a 2003, quando morreu. Juntos, montaram três espetáculos. ''Sem sua liderança, queria apresentar algo novo partindo da assimilação de sua técnica pelo grupo'', conta o diretor-convidado. ''Assim como os palhaços faziam releituras do que viam nas décadas de 50 e 60, seja o western ou os clássicos do cinema como 'O Vento Levou', queria propor a releitura de um clássico da literatura moderna utilizando a linguagem do palhaço. Assim chegamos a Kafka''.
Martins observa que ''Kafka trabalha o realismo dentro de um mundo completamente imaginário, ficcional. O palhaço faz algo parecido ao trabalhar com a realidade de maneira irreal''. O diretor integrou a formação original do grupo onde permaneceu até 1999, quando se transferiu com seu outro grupo, a Cia. Armazém de Teatro, para o Rio de Janeiro. Hoje, ele vive em Natal (RN), onde trabalha com a Companhia Urbana de Teatro.
O elenco que sobe ao palco amanhã é formado pelos palhaços-atores Maria Amélia Melo, Luiz Henrique Silva e Luis Eduardo Pires; além das atrizes Edna Aguiar e Simone Andrade e os atores André Demarchi e Danilo do Amaral. O cenário do espetáculo reúne grande parte dos objetos que ajudaram o palhaço Picolino a arrancar risos das platéias.
Esse acervo estará em exposição entre os dias 12 e 17 de agosto no próprio teatro abrangendo fotografias, figurinos, máquinas de fazer mágicas, instrumentos musicais e outros recursos cenográficos que foram acumulados ao longo da vida do artista Ricardo Queirolo. O projeto que une espetáculo e exposição conta com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Funart/Fundação Athos Bulcão; e do Programa de Fomento ao Circo de Incentivo à Pesquisa de Arte Circense.

Serviço:
- Espetáculo ''A Metamorfose'', com o Circo de Palhaços do Picolino
Quando - De amanhã ao dia 17 de agosto, às 20h (quintas, sextas e sábados) e às 19h (domingos)
Onde - Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina
Quanto - R$ 5
- Exposição do acervo do palhaço Picolino
Quando - Do dia 12 ao dia 17 de agosto (do dia 12 ao dia 15, das 15h às 19h; e nos dias 16 e 17, das 14h às 18h)
Onde - Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413), em Londrina

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