Sou da geração que viveu intensamente a possibilidade de ver óvnis por causa dos filmes, especialmente “E.T.: um Extraterrestre” (1982), de Steven Spielberg, que aguçava nossa fantasia com aquela belezinha de personagem interplanetário,amigo do Eliott, que chega a passear de bicicleta. Nada mais lúdico na minha cabeça já que, bem antes do filme, ficava encantada com as demonstrações de meu próprio pai acreditar na chance de vida em outros planetas.

Eu e meus irmãos éramos quase diariamente chamados à varanda de nossa casa para observar o céu. Na impossibilidade de ver um E.T., pelo menos víamos toda movimentação de satélites que percorriam o espaço, inaugurando uma nova era de telecomunicações a partir dos anos 1960. Meu pai, apaixonado por astronomia e corrida espacial, nos contava como russos e americanos disputavam a vanguarda da ciência e assim me acostumei a olhar o céu.

O Caso Roswell, famoso nos anos 1950 e nas décadas seguintes, um dos mais misteriosos da história da busca dos americanos pela vida interplanetária, aguçou ainda mais minha curiosidade, embora antevisse nas informações um quê de sensacionalismo que fazia das revistas semanais um oásis de fofocas “científicas.” Mas nunca duvidei da possibilidade de sermos visitados por E.Ts e fiquei muito impressionada quando Dom Hélder Câmara (1909-1999), arcebispo de Olinda e Recife, deu entrevistas falando sobre extraterrestres.

Em 2011, o cronista Ruy Castro demonstrou surpresa ao divulgar que arquivos da FAB mostravam que a “Força Aérea Brasileira havia passado 60 anos analisando supostos contatos visuais de pessoas com óvnis.” Na lista de celebridades que já tinham visto algum objeto voador constavam Tim Maia, Rita Lee, João Gilberto, Raul Seixas, Baby Consuelo, Wanderléa e Paulo Coelho, claro.

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. | Foto: Reprodução

Não integro nenhuma lista oficial de avistadores de óvnis, mas confesso que já “assisti” a uma coisa intrigante: num mirante da Chapada dos Guimarães (MT), onde estive com um grupo de amigos no início dos anos 1990, vimos um objeto luminoso que descia e subia no horizonte, num movimento que não durou minutos, mas horas. Munidos de um binóculo alemão do tempo da Segunda Guerra, não conseguimos identificar o que seria aquilo, até que depois de muita expectativa a luz grande se dividiu em luzes pequenas, numa formação geométrica que desapareceu no céu tomando outro rumo.

Quando começamos a ver a luz à distância, alguém pensou na possibilidade daquilo ser o efeito luminoso de algum garimpo mas, na sequência, uma rápida formação geométrica de pequenas luzes, que se subdividiram a partir da grande, dissipou a possibilidade de um efeito especial do garimpo ter “voado” acima do horizonte da Chapada.

No local, são comuns os relatos misteriosos sobre óvnis e outros fenômenos. Pelo sim, pelo não, tomo isso como parte do folclore local, mas não me coloco de forma descrente ou arrogante quando ouço uma dessas histórias sobre coisas incríveis que acontecem para os lados da Serra do Roncador, conhecida como um rota natural de ...discos voadores.

No fundo, acho uma delícia ouvir histórias fantásticas, sobretudo contadas ao redor do fogo em noites sem lua, mais propícias ao avistamento de Objetos Não Identificados.

Dessa forma, a série do History Chanell, que estreou no domingo (11), aviva as lembranças e atiça minha curiosidade sobre outros mundos, proporcionando uma fuga temporária do noticiário no qual os temas não são os E.Ts, mas as mulas-sem-cabeça da política nacional cuspindo fogo ou coisa pior pela “boca”.

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