Relato do viajante é um ótimo livro de aventura
Relato do viajante é um ótimo livro de aventura16/Mar, 16:39 São Paulo, 16 (AE) - Na historiografia dos viajantes, o relato de Hans Staden figura como o primeiro depoimento sobre o Brasil, com exceção da carta de Pero Vaz de Caminha. Depois de passar nove meses prisioneiro dos índios, Staden conseguiu voltar para a Europa e escreveu o livro, dedicado ao rei Philipp o Magnânimo. O texto é introduzido por um longo subtítulo: "A Verdadeira História dos Selvagens, Nus e Ferozes Devoradores de Homens, Encontrados no Novo Mundo, a América, e Desconhecidos Antes e Depois do Nascimento de Cristo na Terra de Hessen, até os Últimos Dois Anos Passados, Quando o Próprio Hans Staden de Homberg, em Hessen, os Conheceu, e Agora os Traz ao Conhecimento do Público por Meio da Impressão Deste Livro". Ufa. Mas era assim mesmo que os relatos eram apresentados naquele tempo, meados do século 16. Além disso, Hans Staden precisava, de saída, enfatizar a veracidade da sua história, para não passar por maluco ou impostor. De fato, seria como se alguém, hoje, dissesse que tinha sido sequestrado por marcianos, levado numa nave espacial e voltado são e salvo depois de haver observado os costumes dos alienígenas. Como acreditaram nele, o livro foi um imenso sucesso em seu tempo. Ao longo dos seus 400 e tantos anos de existência, ganhou mais de 80 edições em alemão. O leitor brasileiro dispõe de uma excelente versão, publicada em 1998, e reeditada em 1999, pela Dantes, do Rio de Janeiro. Muito bem ilustrado, o texto ganha tradução escorreita de Pedro Sussekind. O que é ótimo, porque traz para perto do leitor a prosa saborosa de Staden. Artilheiro e viajante alemão, Staden veio duas vezes ao Brasil. Na primeira, em 1547, saiu de Lisboa para Pernambuco num navio carregado de pau-brasil. Na segunda, dois anos depois, veio da Espanha e chegou a Santa Catarina. Naufragou quando tentava alcançar São Vicente, nas imediações de Itanhaém. Depois de ser designado por Tomé de Souza para defender a fortaleza de Bertioga, foi aprisionado pelos tupinambás, que decidiram devorá-lo pensando que fosse português e portanto inimigo. Mostrando muito jogo de cintura, Staden conseguiu sobreviver em meio aos índios por quase um ano, até escapar. O relato é magnífico. Um dos grandes livros de aventuras de todos os tempos mostrando a eficácia do jeitinho alemão na terra tupiniquim. (L.Z.O.)





