Relações perigosas
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sexta-feira, 03 de janeiro de 2014
Luana Borges<br>TV Press 
A complexa relação entre traição, culpa e paixões proibidas sempre alimentou clássicos da literatura e despertou a curiosidade popular. E é exatamente na junção desses temas que nasce "Amores Roubados", minissérie que a Globo estreia segunda-feira (dia 6), às 22h15. Baseada no romance "A Emparedada da Rua Nova", do pernambucano Carneiro Vilela, a história gira em torno de Leandro, protagonista de Cauã Reymond, uma espécie de "Casanova do sertão".
Publicado originalmente entre 1909 e 1912, no "Jornal Pequeno", de Recife, o texto chegou nos anos 1980 às mãos do roteirista George Moura que também assinou "O Canto da Sereia", de janeiro de 2013.
Empolgado com a ideia de fazer uma adaptação para a tevê, ele chegou a apresentar a história para o diretor José Luiz Villamarim quando trabalharam juntos em "Rei do Gado", de 1996. Mas só agora, 18 anos depois, a dupla conseguiu concretizar o projeto. "Entre um compromisso e outro de trabalho, fomos dissecando 'A Emparedada', como se fosse um longo ritual de preparação até que viesse a se transubstanciar na minissérie", explica Moura.
Na história, depois de deixar a fictícia cidade de Sertão, Leandro retorna como um sommelier sofisticado. Bom de lábia, conquista as amigas Celeste e Isabel, vividas por Dira Paes e Patrícia Pillar. Até conhecer Antônia, filha de Isabel e Jaime, de Murilo Benício, o maior produtor de vinho da região. Os dois se apaixonam verdadeiramente, mas se envolvem em uma trama também de ciúme e vingança.
Na obra original, uma jovem burguesa, grávida do namorado, é emparedada viva, em seu próprio quarto, a mando de seu pai. "É um trabalho do qual me orgulho muito. Leandro é um homem viril, mas também tem um lado forte obscuro, o que me cativou no personagem", exalta Cauã.
Para produzir os dez capítulos da minissérie, elenco e equipe viajaram para Petrolina, em Pernambuco, e Paulo Afonso, na Bahia, onde a maior parte das cenas foram captadas. As locações, escolhidas através de uma pesquisa iconográfica, ajudaram os atores a compreenderem melhor o universo de seus personagens.
Mas gravações externas costumam ser bem mais trabalhosas do que em estúdio. Além de lidar com o forte calor, o elenco precisou ter "jogo de cintura" com a legião de fãs e curiosos que pararam para ver o que estava acontecendo nas regiões. "As pessoas ficavam na porta do nosso hotel e, enquanto a gente não aparecia, não sossegavam. Chegavam às seis horas da manhã e iam embora às nove da noite. Gritavam, foi uma loucura", recorda Isis, que, apesar do assédio, não se deixou intimidar e saiu às ruas, disfarçada, para conhecer o ambiente em que sua personagem está inserida.
Como Antônia gosta de fotografar, a atriz resolveu tirar algumas fotos como laboratório. "Falava que ia fotografar para o jornal da cidade e todo mundo acreditava. Às vezes, alguém me chamava, mas raramente acontecia", completa.
Além de escalar nomes conhecidos como Osmar Prado e Patrícia Pillar, entre outros, a direção optou por atores do Nordeste. A ideia foi lançar novos rostos e contribuir para a naturalidade da prosódia que permeia a minissérie. "A mistura de atores consagrados com novos talentos, convivendo, fazendo laboratório e passando uma temporada de imersão no sertão, gera uma maneira de interpretar mais realista, que eu chamo de 'interpretação documental'", analisa Villamarim.


