Curitiba Artistas envolvidos nos projetos Palco Paraná e Circo da Ciência, patrocinados pela Petrobras e apresentados este ano no Parque Newton Freire Maia, antigo Parque Castelo Branco, em Curitiba, fizeram uma passeata ontem, pedindo a continuação dos dois programas. Juntos, os projetos receberam patrocínio de R$ 4,5 milhões e deveriam ter sido apresentados durante todo o ano para crianças da rede pública de ensino. O fechamento do parque atendendo à determinação do governo Requião, por quase seis meses, porém, fez com que os dois projetos não cumprissem as metas determinadas.
Os espetáculos só retomaram a agenda no final de outubro e encerraram a programação em dezembro. Os artistas querem dar continuidade às apresentações no próximo ano, mas dependem do governo para liberar o espaço e acenar com nova possibilidade de patrocínio.
O Palco Paraná e o Circo da Ciência foram levantados com recursos da Lei Rouanet (lei federal de incentivo à cultura) e produzidos especialmente para serem apresentados no Parque da Ciência, inaugurado no final da gestão do governador Jaime Lerner (PSB). O primeiro, orçado em R$ 2 milhões, conta com a construção de uma grande maquete do Paraná, construída em concreto e instalada a céu aberto em uma área de cerca de 5 mil metros quadrados. Só para construção da maquete, que traz a marcação dos 399 municípios do Estado, foram gastos quase R$ 700 mil.
Na maquete/palco era apresentado o espetáculo ''A Saga da Condessa Mariquinha e Sua Fiel Escudeira Mameluca'', dirigido por Itaércio Rocha. O projeto ainda promoveu a mostra de 14 grupos amadores do interior, selecionados para montar um espetáculo que contasse a história, a cultura e a arte na ocupação do Estado. Cada grupo recebeu R$ 7 mil para a produção das montagens.
Já o projeto Circo da Ciência consumiu investimento de R$ 2,5 milhões. Parte do recurso foi utilizada para contruir uma gigantesca e moderna lona de circo, também nas dependências do parque. No palco foi apresentado o espetáculo ''Circo com Ciência'', dirigido por Maurício Vogue e que acaba de ganhar oito prêmios Gralha Azul, das dez indicações que recebeu na maior premiação de teatro do Estado. ''É uma pena que projetos como este não tenham continuidade'', lamenta uma das atrizes do projeto, Alessandra Baiana.
Apesar de estarem prontos, os dois projetos ainda dependem de patrocínio para a sua continuação. A Secretaria de Ciência e Tecnologia, a qual o parque está ligado, está em recesso e a Folha2 não encontrou quem pudesse esclarecer o assunto. A assessoria de imprensa da Petrobras também não atendeu às ligações feitas pela reportagem para falar sobre a intenção de esticar o patrocínio por mais algum tempo.
Os artistas começaram a passeata ontem, na Boca Maldita e seguiram até o Palácio do Governo, no Centro Cívico, para tentar chamar a atenção do governador para o problema.

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