Em 13 faixas (uma vinheta), sem fazer nada parecido com o original (só ''Lindonéia'' é um pouco próximo) e com atitude tropicalista, Fernanda Takai dá novo ânimo a temas de vários discos, facetas e fases de Nara Leão: do samba de morro (''Diz Que Fui por Aí'', ''Luz Negra''), da Tropicália (''Lindonéia''), da bossa nova (''Insensatez''), da graça infantil (''Canta, Maria'', ''Trevo de Quatro Folhas''), da leveza ensolarada e pop (''Estrada do Sol'', ''Seja o Meu Céu''), das antiguidades revalorizadas (''Odeon'', ''Ta-hi''), de Chico Buarque (''Com Açúcar, com Afeto'') e Roberto Carlos (''Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos''), das versões (''Descansa Coração'').
Se Nara compensou as limitações vocais com personalidade, originalidade, excelentes idéias e repertório, Fernanda Takai corresponde adequadamente a esse perfil nas reinterpretações. É um projeto solo, mas tem a cara do Pato Fu porque Lulu Camargo e John Ulhoa, seus colegas de banda, trabalharam com ela tocando diversos instrumentos, dividindo arranjos e idéias.
Mesmo gostando de bossa nova, Fernanda nunca foi de samba, não tem malemolência para cantar esse gênero de composição, nem seus parceiros para tocarem. Todos deságuam de outra fonte. Embora confirme que sua escola de pop-rock é bem simplificada em relação a esse repertório, o trio conseguiu reverter a situação. São músicas que tinham na memória, mas, por ser mais elaboradas, não sabiam tocar. Quando perceberam que não poderiam fazer samba, nem choro, resolveram, desafiando suas limitações, a construir os arranjos a partir de sua escola pop. (L.L.G./A.E.)

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