Reino da eletrônica
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Nelson Sato 
O reino da eletrônica é aqui. De amanhã ao dia 20 o Brasil vai hospedar a nata do som das pistas com a realização de shows da banda Prodigy, do duo Chemical Brothers e dos DJs e produtores Roni Size e Paul Oakenfold.
Às ilustres visitas, acrescente-se o lançamento nacional do novo CD do grupo Underworld, que está chegando esta semana às lojas pela gravadora Roadrunner. Dá para não ser feliz?, perguntaria até o mais incrédulo dos clubbers. Desse jeito, só falta o filme-documentário Modulações - Cinema para os Ouvidos entrar em circuito comercial para a festa ficar completa.
O filme, dirigido por Iara Lee (paranaense radicada em Nova York), já foi exibido em dois festivais no País e apresenta um mapeamento da música eletrônica mundial reunindo imagens de shows, raves, clubes, transmissões ao vivo pela Internet e depoimentos de figuras de proa no meio como os próprios rapazes do Prodigy.
ReproduçãoKeith Flint, do Prodigy: mais punk que os próprios punksMas enquanto o sonho do paraíso perfeiro não se realiza, convém ficar ligado na avalanche de shows dos próximos dias. A começar pela edição especial do festival Close Up Planet, que acontece neste sábado no estacionamento do Sambódromo, no Anhembi, em São Paulo. Para a surpresa geral, a entrada desta vez será gratuita.
A cortesia foi a forma que os organizadores do festival encontraram para apagar a má imagem deixada em agosto passado, quando o aguardado show do Prodigy teve que ser cancelado por causa de uma falha na estrutura do teto do palco. Prodigy puxa o elenco de atrações gringas, que inclui ainda os DJs e produtores britânicos Roni Size e Dynamite MC.
A parte nacional é representada pelo DJ paulistano Marky Mark e os cantores e compositores Otto e Arnaldo Antunes (não perguntem o que o ex-Titãs está fazendo aqui). Embora a prodigymania tenha se acalmado, depois de atingir o ápice no verão do ano passado com a execução exaustiva de suas músicas em festas e clubes, o culto em torno do quarteto inglês permanece imbatível no universo da música eletrônica.
O show de amanhã é uma breve interrupção das férias do grupo, já que desde o começo do ano os integrantes descansam da turnê do álbum The Fat of the Land, primeiro lugar nas paradas de 27 países em 1997. A folga, no entanto, não tem excluído ocasionais incursões pelo estúdio para a preparação do repertório do próximo disco (uma faixa, inclusive, já estaria gravada).
ReproduçãoNovo CD do Underworld chega às lojas do Brasil esta semanaAlém disso, seus componentes estão se dedicando aos projetos paralelos. É o caso de Liam Howlett, que promove o seu álbum solo Prodigy Present: The Dirtchamber Session Volume 1, já disponível no Brasil pela Roadrunner. E também de Maxim Reality, que grava um CD com participação dos rappers Guru (Gang Starr) e Chuck D (Public Enemy).
Mas antes do Prodigy subir no palco, o público poderá conferir o trabalho de outro artista de peso na cena eletrônica inglesa. Trata-se de Roni Size, um dos expoentes do drumnbass e cujo álbum New Forms foi escolhido o melhor de 98 pela Mercury Prize, principal premiação do Reino Unido voltado para a música dos clubbers.
Terminando o festival Close Up Planet, o duo inglês Chemical Brothers baixa na área para devastar a ressaca do povo com suas batidas demolidoras. Os shows acontecem na terça e quarta-feira, respectivamente no Via Funchal, em São Paulo, e no Metropolitan, no Rio de Janeiro. A vinda do grupo é patrocinada pela Levis.
Como o Prodigy, os Chemical Brothers explodiram as fronteiras entre os gêneros, incorporando tanto a agressividade do rock e o apelo dançante do techno quanto as marcações rítmicas do funk e do hip hop. Menos punk e mais psicodélicos do que o rival, conquistaram platéias diversas com seus dois primeiros discos de estúdio (lançaram também os mix-CDs Live at the Social e Brothers Gonna Work It Out) popularizando a vertente big beat.
A principal novidade dos shows brasileiros será a presença de músicas inéditas do novo disco no repertório das duas noitadas, as quais o público poderá conferir em primeira mão antes do lançamento do CD previsto para o dia 21 de junho. O CD, intitulado Surrender, traz participação de Bobby Gillespie (do Primal Scream), Bernard Summer (New Order), Hope Sandoval (Mazzy Star), Noel Gallagher (Oasis) e Jonathan Donahue (Mercury Rev). Os dois últimos, vale lembrar, já colaboraram com os chemicals no ótimo Dig Your Own Hole (1997).
Em SP, o show vai contar ainda com as presenças da Patife Band, M4J, Habitants, George Actv e James Holroyd. No Rio, Markinhos Mesquita, Clara Moreno e Calbuque foram os escalados para abrir a apresentação. Mas quando a dupla ainda estiver incendiando os cariocas, os paulistas já estarão dançando ao som do inglês Paul Oakenfold, eleito o melhor DJ do mundo pelo The Guinness Book of Record.
Rodado nos clubes britânicos, ele é um dos responsáveis pelo estouro da onda indie dance que sacudiu o Reino Unido na virada da última década, dando uma mão para bandas como Happy Mondays e Soup Dragons. Oakenfold toca quarta e quinta-feira na casa noturna U-Turn, encerrando essa maratona histórica de shows eletrônicos.


