Reinchenbach ganha retrospectiva no Espaço Unibanco
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 30 (AE) - Houve um tempo em que ele era chamado de Godard da boca-do-lixo. Carlos Reichenbach, o Carlão, ganhou a definição porque sempre acreditou num cinema aberto a experiências de linguagem. Dizia que só vale a pena fazer um filme quando ele oferece várias possibilidades de leituras. O tempo passou e Reichenbach, sem abrir mão da experimentação, está hoje mais próximo do cinema dos sentimentos de Valerio Zurlini. Pelo menos é assim em "Dois Córregos", seu novo filme
em cartaz em São Paulo.
A "Dois Córregos" vem somar-se, a partir de amanhã (01), um Festival Carlos Reichenbach formado por seis filmes do diretor que nasceu em Porto Alegre, mas se criou em São Paulo. É um programa imperdível. Começa com "Lilian M: Relatório Confidencial", prossegue com "Filme Demência", "Império do Desejo", "Paraíso Proibido", "Anjos do Arrabalde" e "Alma Corsária". São momentos importantes na evolução de Reichenbach como artista.
"Lilian M" é um filme bem do começo da carreira do diretor. É uma colagem de gêneros e estilos, misturando tudo - o filme de aventuras, o comercial de TV, a reportagem policial - numa paródia divertida que também é crítica sobre aspectos essenciais da vida moderna, como os relacionamentos. "Filme Demência", feito dez anos depois, é obra menos sutil e mais complexa: a tragédia, segundo Reichenbach, que se apropria do mito de Fausto, apaulistando-o.
"Anjos do Arrabalde", melhor filme em Gramado, transforma São Paulo em personagem. É melhor do que "Alma Corsária", que fascina como exercício de estilo, mas decepciona como direção de atores: os protagonistas são fracos. Serviço - Festival Carlos Reichenbach. Amanhã (01), Lilian M: Relatório Confidencial, com Célia Olga Benvenutti, Benjamin Cattan, Sérgio Hingst. Sábado e domingo, Filme Demência, com Ênio Gonçalves, Imara Reis. Diariamente, às 14 horas. Espaço Unibanco 4. Rua Augusta, 1.470, tel. 289-4792. Até 14/10


