Quarenta discos lançados, 31 anos de carreira, 12 discos de ouro e dois de platina não deram a merecida fama ao cantor pernambucano Reginaldo Rossi. Considerado ‘‘rei’’ no Nordeste, mas pouco conhecido no Sul e Sudeste do País, ele pretende agora reverter a situação. Aos 53 anos de idade, Rossi está lançando o seu novo CD: uma coletânea de sucessos antigos, gravada ao vivo e que já vendeu 250 mil cópias antes de chegar à maioria das lojas. O próximo passo será uma série de shows em todo o Brasil.
Hoje ele canta o estilo romântico/brega. Algumas faixas de seu CD estão preenchidas por regravações de músicas como ‘‘Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme’’, ‘‘De Que Vale Ter Tudo na Vida’’ e ‘‘Garçon’’. Rossi lembra, entretanto, que este nem sempre foi o seu repertório.
Em 1964, ele formou a primeira banda de rock do Nordeste, chamada The Silver Jets, que chegou a gravar um compacto e a se apresentar no lendário programa ‘‘Reis do Iê-Iê-I꒒, de Roberto Carlos, na TV Record. Na época, Rossi passou a acompanhar os artistas da Jovem Guarda, abrindo seus shows em vários palcos do País.
‘‘Em 1972 eu estourei com a regravação de Mon Amour...’’, lembra. ‘‘Foi aí que começou a acontecer uma forte divisão entre o chique e o brega, esvaziando o nosso movimento’’, conta Rossi.
Na opinião dele, o único ‘‘romântico à moda antiga’’ que sobreviveu com sucesso absoluto em todo o País foi Roberto Carlos. ‘‘Nunca vi no mundo uma divisão absurda entre AM e FM como a que acontece no Brasil’’, reclama.
Apesar das críticas, Rossi confessa que não há rancor. ‘‘Acho apenas que houve uma burrice generalizada da mídia e das gravadoras, que negaram a realidade brasileira durante todos estes anos’’, afirma. ‘‘O Sudeste escondia a verdade do País.’’
Ele acredita que o movimento inverso teve início há cerca de dez anos, com a abertura política do País. ‘‘A democracia começou a mudar as pessoas, que passaram a sentir menos vergonha das coisas do Brasil’’, diz ele.
Em seu novo CD, ele faz exatamente isto. Mostrar as coisas do povo e cantar as músicas que o povo quer ouvir são o seu principal objetivo. Rossi afirma que as distâncias estão cada vez menores entre os Estados brasileiros, o que praticamente obriga as gravadoras a se abrir para todo o País. ‘‘A mídia cada vez mais deixará de ser comandada por Rio de Janeiro e São Paulo’’, diz.
Após distribuir seu CD pelo Brasil, Rossi pretende iniciar uma série de shows, que ainda não têm datas definidas no Sul. Sem modéstia, ele afirma que seu forte são as apresentações ao vivo, improvisadas, repletas de tiradas. ‘‘Sou tão bom nisto que as pessoas se apaixonam e chegam a me confundir com o Leonardo DiCaprio’’, brinca ele.
O CD ‘‘Reginaldo Rossi Ao Vivo’’ foi gravado e distribuído pela Sony Music e já está disponível em todo o País.

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