REGRESSÃO - Em algum lugar do passado
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de fevereiro de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
A possibilidade da existência de outras vidas sempre foi prato cheio para a ficção, seja na sétima arte, na literatura ou na teledramaturgia . Títulos como ''Em Algum Lugar do Passado'' (1980) ou Ghost (1990), como exemplos, transformaram num romance essa temática metafísica. Nas prateleiras ditas ''esotéricas'', dezenas de autores se arriscam ao indicar métodos em seus livros para voltar às encarnações remotas, como o norte-americano Brian Weiss. E agora, a Rede Globo investe na terceira exibição da novela ''A Viagem'', de Ivani Ribeiro, no Vale a Pena Ver de Novo. Para quem não sabe, trata-se de um remake de produção da TV Tupi em 1975, exibida originalmente pela Globo em 1994, e já reprisado em 1997.
Questionamentos não faltam a respeito dessa temática que cada vez mais desperta a curiosidade das pessoas. No entanto, hoje, visitar fatos que ocorreram no passado - infância, período intra-uterino ou, até mesmo em outras vidas - surge em cena como mais uma terapia que se dedica a eliminar traumas e situações mal-resolvidas de cada um, distante daquele estigma místico recebido quando se popularizou.
Desde que nasceu, um medo generalizado. Medo de ficar sozinho, medo de morrer. Já adulto vieram as dores inexplicáveis espalhadas pelo corpo. Consultas com médicos tradicionais e mais alguns comprimidos. Em 1997, uma intensa crise de depressão e os efeitos colaterais dos remédios que tomava motivaram o aposentado Élio de Matos, de 58 anos, a procurar a Terapia de Vida Passada ou, como é conhecida popularmente, a regressão. Era a abertura para muitas surpresas que ofereceram elementos à sua cura.
''Hoje eu sei que todo aquele medo que eu tinha refletia fatos que eu vivenciei em outros períodos, mas que até aquele momento não foram superados'', comentou Élio, vitorioso com sua história.
De acordo com o psicoterapeuta Cláudio Américo Sproesser, Delegado da Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada do Paraná e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Psicossomática, a regressão se prontifica a levar o indivíduo a compreender sua queixa, que pode ser desencadeada por qualquer fato. ''Por exemplo, um indivíduo vai assitir a um filme e acaba tirando um cochilo. Ali foi passada uma determinada mensagem que pode despertar nele uma agressão sofrida quando criança'', explicou.
O especialista, no entanto, faz um alerta: nem sempre a regressão está diretamente relacionada à reencarnação. Segundo Sproesser, ninguém retorna ao passado, uma vez que esse período se encontra em cada um. ''A partir do momento em que a pessoa se coloca num relaxamento profundo (estado alterado da consciência), podem fluir de seu inconsciente determinadas lembranças. Com a experiência de vida atual do indivíduo e com auxílio do profissional, ela passa a compreender fatos passados'', acrescentou o psicoterapeuta.
Foi exatamente isso que aconteceu com Élio de Matos. Quatro sessões foram suficientes para que seus medos se tranformassem. ''Você aprende a perdoar as pessoas com mais facilidade e a controlar pensamentos e idéias negativas. A angústia desaparece e você se sente uma pessoa livre'', disse. ''Durante as sessões eu pude revivenciar alguns acontecimentos, como por exemplo, em uma outra vida, eu e minha família éramos alemães e fomos metralhados por soldados judeus, isso explicaria meus medos e as dores espalhadas pelo corpo'', jutificou.
Segundo Sproesser, durante esse tipo de terapia, o paciente se apresenta num momento pelo qual não está nem acordado e nem dormindo. ''A mente fica expandida e as noções de tempo e o espaço deixam de existir. O indivíduo fica consciente do estado em que ele se encontra, embora, vivenciando o papel de um personagem, quer seja ela mesmo ou uma figura egóica (fantasiosa).'', destacou o psicoterapeuta, ao revelar que a pessoa passa a compreender que aquele fato faz parte de seu passado e não de seu presente.
Outro ponto a ser explicado está na ordem cronológica das sessões. De acordo com o especialista, o profisisonal não pode determinar quanto tempo - anos, décadas ou séculos - a pessoa irá regredir, ou seja, o paciente é que vai, de maneira, inconsciente até o período a ser enfocado.


