A controversa administração do prefeito Homero Barbosa Neto, que teve mandato cassado pela Câmara de Vereadores de Londrina em 2012, foi marcada também por uma bem sucedida ação de resgate da arquitetura original do Centro da cidade.
A "Lei Cidade Limpa", sancionada pelo ex-prefeito, transformou a paisagem urbana com a retirada de painéis, cartazes, faixas e placas publicitárias das fachadas dos prédios. Os proprietário de estabelecimentos, obrigados a acatar a medida, acabaram contribuindo para minimizar a poluição visual das ruas e avenidas.
A importância da iniciativa é assinalada pelos pesquisadores Paulo César Boni e Fernanda Grosse Bressan no livro "Retratos da Cidade", que será lançado hoje, às 20h, no Museu Histórico de Londrina: "As 'coisas' surgem e desparecem cotidianamente. A história acontece todos os dias. E a história de Londrina passou – e continua passando – por mudanças significativas com a Lei Cidade Limpa. Muitos elementos desapareceram de sua paisagem urbana, o que torna esse evento um momento histórico ímpar, digno de registro fotográfico. No futuro, com certeza, as fotografias desse processo de transformação urbana serão usadas como documentos para a recuperação da história da cidade", escrevem.
O depoimento está no último dos dez capítulos/ensaios reunidos no livro. O texto é acompanhado de fotografias que documentam as mudanças ocorridas na Rua Sergipe e no Calçadão, revelando como eram antes e como ficaram depois os imóveis atingidos pela Lei Cidade Limpa. As imagens, reproduzidas lado a lado, são impactantes.
O livro tem 225 páginas. É o quarto volume publicado pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e História, criado há quase dez anos por Boni na Universidade Estadual de Londrina (UEL) com o objetivo de investigar, organizar, sistematizar e democratizar o acesso à História de Londrina e região através de estudos envolvendo a imprensa e a fotografia.
O professor assina todos os textos, a maioria dividindo a autoria com outros docentes, alunos de pós-graduação e jornalistas. Outro capítulo com temática atual aborda a cobertura de repórteres fotográficos dos jornais Folha de Londrina e Jornal de Londrina durante a mobilização contra a reabertura de uma via para veículos no Bosque Municipal, proposta pela Prefeitura em 2011.
Na ocasião, máquinas e operários começaram a derrubar árvores do local por onde a rua deveria passar, o que gerou descontentamento e manifestações de moradores e ativistas simpáticos a causas ambientalistas. O projeto do Executivo acabou barrado e embargado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). O ensaio de Bruna Volpini Freire discute a similaridade das fotos publicadas pelos dois jornais, apesar de terem sido tomadas por diferentes profissionais.

FOTOGRAFIAS RECUPERADAS NO LIXO
A Avenida Higienópolis é objeto de investigação de Sara Hermógenes Silva, que narra a abertura e a urbanização daquela que foi concebida para ser a mais rica e luxuosa avenida de Londrina. Ilustrado com fotos de Oswaldo Leite e José Juliani, o capítulo reconstitui o período entre as décadas de 1930 e 1960, quando a via reunia mansões e palacetes de abastados londrinenses e aos poucos foi deixando de ter perfil residencial para abrigar estabelecimentos comerciais.
A história de um conjunto de 16 fotografias coloridas encontradas por um anônimo numa lata de lixo motivou a pesquisa e o texto de Joaquim Francisco Gonçalves de Brito Amaro sobre a construção do Estádio do Café. As fotografias foram feitas no dia 14 de julho de 1976, quando o glorioso Estádio do LEC ainda estava em obras e recebia a visita dos jogadores do clube.
Os atletas, flagrados com uniformes, fariam parte do legendário time que viria a ser semifinalista do Campeonato Brasileiro de 1977. São registros que só com a publicação do livro estão vindo ao público. O autor das fotos ainda não foi identificado, assim como a pessoa – tratada como "anônimo" no livro - que as encontrou jogada no lixo.
Ela teria percebido a importância do pequeno acervo e, depois de recuperá-las, deixou-as num envelope na portaria da Rádio Paiquerê AM dirigidas para o comentarista esportivo Fiori Luiz. Este repassou-as para J. Mateus, também cronista esportivo e autor de vários livros sobre a história do esporte em Londrina. Das 16 fotografias, 10 estão reproduzidas no capítulo que recupera fragmentos da história do Estádio do Café e do Londrina Esporte Clube.
Boni é autor, sozinho, dos capítulos de abertura "A Academia e o uso da fotografia para a recuperação da história de Londrina" e "Dois 'lances de sorte' na relação de Londrina com a fotografia".
Bruna Mayara Komarchesqui assina o ensaio "O retrato do Norte do Paraná: a fotografia na revista A Pioneira (1948-1954)". Rosana Reineri Unfried é autora do texto "Para evitar que o 'Leite' fosse demarrado: a história da recuperação de um dos mais importantes acervos fotográficos de Londrina". Jocelia Rosa da Silva Vitachi pesquisou e escreveu "Londrina Revisitada: a fotografia como registro histórico de duas épocas". Completando a coletânea, Amanda Gonçalves de Santa escreve o ensaio "Coluna 'Você conhece este lugar?': um novo modo de olhar Londrina".
No lançamento o livro estará à venda a R$ 20. A obra também poderá ser adquirida na Livrarias Curitiba (Catuaí Shopping Londrina) e no Departamento de Comunicação do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA), no campus da UEL.

Serviço:
Lançamento do livro "Retratos da Cidade"
Quando - Hoje às 20h
Onde - Museu Histórico de Londrina (R. Benjamin Constant, 900)
Informações - (43) 3371-4328 e 3324-4641

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