POLÍTICA CULTURAL -

Regina Duarte diz que quer pacificar a Cultura

Atriz aceita convite para um 'teste' na Secretaria da Cultura e afirma que quer 'pacificar a relação da classe artística com o governo'

Gustavo Fioratti, Bruno Molinero e Gilherme Genestreti/ Folhapress
Gustavo Fioratti, Bruno Molinero e Gilherme Genestreti/ Folhapress

 São Paulo - Conhecida como atriz do primeiro time da Globo e apelidada nos anos 1970 como Namoradinha do Brasil, Regina Duarte diz que começa um período de testes na Secretaria Especial da Cultura a partir desta terça (21).


Ela afirmou à Folha de S.Paulo que vai "noivar" com o governo. "Quero que seja uma gestão para pacificar a relação da classe com o governo. Sou apoiadora deste governo desde sempre e pertenço a classe artística desde os 14 anos", afirmou a atriz.




Regina Duarte é a quarta pessoa na cadeira e assume após um escândalo: na sexta (17), Roberto Alvim foi demitido do mesmo cargo, depois de ter postado um vídeo no qual copia trechos de um discurso de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler na Alemanha nazista. 

Para convencer a atriz a assumir a pasta da Cultura, Bolsonaro disse que poderia recriar o Ministério da Cultura, o que elevaria a atriz à condição de ministra. O MinC foi extinto por Bolsonaro no início do ano passado e transformado em secretaria, primeiramente vinculada ao Ministério da Cidadania e depois ao do Turismo. 


A paulista é um nome central na história da televisão do país e ganhou o apelido de Namoradinha do Brasi  após interpretar papéis importantes em novelas da Globo durante os anos 1970 e 1980. A protagonista da série “Malu Mulher” (1979-1980), de veia feminista, e a famosa Viúva Porcina, de “Roque Santeiro” (1985-1986) são dois dos principais. 


Regina Duarte: além do sucesso na TV, atriz também ganhou holofotes por expressar suas posições políticas
Regina Duarte: além do sucesso na TV, atriz também ganhou holofotes por expressar suas posições políticas | Mathilde Missioneiro/ Folhapress
 



Em paralelo ao destaque na TV, também ganhou holofotes por expressar suas posições políticas - que foram ficando cada vez mais conservadoras com o passar do tempo.

A atriz fora alçada à condição de um símbolo da luta feminista, sobretudo por ter vivido uma mulher independente e divorciada na série "Malu Mulher",  numa época em que o tema do divórcio ainda era tabu na sociedade brasileira. No entanto, 40 anos depois, Regina disse que não abraça aquelas causas - ou, melhor, que nunca abraçou completamente, nem mesmo na época. 


"Nunca fui feminista, mesmo fazendo Malu. Eu achava que não era por aí, que tinham caminhos intermediários, tinha que negociar mais, não podia se afastar do homem, não podia tomar posturas machistas e aconteceu muito isso", afirmou a atriz, em entrevista a Pedro Bial no ano passado.

Essa declaração se juntou a outras revisões da artista, que fez oposição ao governo do PT no período das manifestações pelo impeachtment da presidente Dilma e declarou apoio a Bolsonaro ainda durante o período de campanhas. 


Seis anos depois de "Malu Mulher" estrear, quando a Globo pôde enfim exibir "Roque Santeiro", que na década anterior havia sido censurada pelo governo militar, Regina viveu aquele que é um de seus papéis mais emblemáticos, a cômica Viúva Porcina.



Ainda em 1985, ela apoiou a candidatura de Fernando Henrique Cardoso à Prefeitura de São Paulo, que agradava mais à centro-esquerda, e criticou Jânio Quadros, candidato mais à direita, que acabou vencendo o pleito.  Nas eleições presidenciais de 2002, Regina Duarte participou da campanha de José Serra, do PSDB, e disse que tinha medo de uma eventual vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva. A atriz acabou sendo duramente criticada por seus colegas e sua participação ganhou amplo destaque na imprensa. 

"Tô com medo", disse naquela ocasião, em vídeo para a campanha tucana. "Faz tempo que eu não tenho esse sentimento porque o Brasil nessa eleição corre o risco de perder toda a estabilidade que já foi conquistada. Eu sei que muita coisa não foi feita, mas também tem muita coisa boa que foi realizada. Não dá para ir tudo na lata do lixo."


Após as críticas, ela passou a se manifestar menos sobre política, mas voltou a manifestar suas opiniões com mais veemência na época da operação Lava Jato e quando os protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff ganharam as ruas no país.  Nas redes sociais, a atriz defendeu enfaticamente a atuação do então juiz Sergio Moro na condução do processo. Também manifestou apoio a Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. Em outubro daquele ano, ela visitou o atual presidente no condomínio dele, na Barra da Tijuca, e tirou fotos com o então candidato, quando ele se recuperava em casa da facada que levou.


Na mesma entrevista a Pedro Bial em que ela afirmou que não concordava com muitas das questões de "Malu Mulher", Regina também falou sobre seu apoio ao presidente, por questões que seriam morais, segundo ela. "(Tive) minha mãe, religiosa, doce, feminina ao extremo, e nem por isso humilhada em seu feminino", disse. "Tenho um pai militar, com valores éticos muito rígidos. Meu primeiro diretor no teatro, Antunes Filho, era um disciplinador e todo mundo sabe o quanto que ele era focado no rigor. E o (Walter) Avancini, com quem comecei a fazer televisão. Meu DNA é feito por essas posturas de valores morais."

Seu último papel na Globo foi em 2017, na novela "Tempo de Amar", de Alcides Nogueira.




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