Regime feudal no palco
O espetáculo
‘‘Os cegos’’, em
cartaz em Maringá,
trata das
relações de poder
Celina Alonso Az
DivulgaçãoCena do espetáculo: disputa do poder entre um caolho e três cegosFormada por amigos e amantes do teatro a Cia. Teatral Saluama, formada em 97, está apresentando uma versão maringaense para a obra ‘‘Os Cegos’’, de Michel Ghelderode, traduzida por Aníbal Machado. O texto original do autor belga foi inspirado num quadro do artista plástico Pieter Brueghel, sobre a guerra dos camponeses de 1524 que desintegrava o feudalismo na região dos Flandres. O espetáculo está em cartaz no Teatro Banestado hoje, amanhã e sábado, às 21 horas.
‘‘O quadro de Brueghel representava um período de pós-guerra onde nem os deficientes, crianças e velhos foram poupados’’, conta Laura Chaves, atriz, diretora e responsável pelos figurinos. Ela conta que a guerra proporcionou maiores oportunidades para alguns camponeses, mas para outros significou apenas a liberdade de passar fome sob impostos e aluguéis cada vez mais pesados. E que os ressentimentos foram tantos que explodiram em guerras sangrentas.
Ghelderode é um autor de leitura obrigatória na Bélgica. No seu texto ele retrata a relação de poder entre o caolho que simboliza o domínio da França e os três cegos que representam a submissão flamenga. ‘‘Nossa opção foi a de trabalhar a relação de confiança entre os seres humanos. Podemos ser cegos físicos, mas ‘‘nunca de espírito’’, conforme fala o Rei do País dos Fossos - o Caolho’’, explica a diretora.
Laura Chaves que participou do ‘‘Em Família’’, conta que a montagem do espetáculo foi alternativa em tudo. ‘‘Tivemos de arregaçar as mangas e ir atrás de tudo o que pretendíamos. Fomos alternativos nos horários de ensaio, (todos trabalham em outros empregos e ensaiavam numa cozinha), em locais de apresentação (num bar e restaurante), compramos os figurinos numa estofaria, mas sempre muito fiéis à proposta de trabalho.’’
‘‘Os Cegos’’ está hoje, amanhã, e sábado, no Teatro Banestado, na Avenida Bento Munhoz da Rocha, às 21 horas, em Maringá. Ingressos a R$ 5,00.

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