Natural da Bulgária, o violinista Evgueni Ratchev é spalla da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel) há 23 anos, professor de violino, diretor artístico e luthier, faz e conserta violinos. Possui Graduação e Mestrado em Violino na Academia Superior de Música de Sófia (Bulgária). Com Graduação e Mestrado em Violino na Academia Superior de Música de Sófia (Bulgária), atuou como solista e maestro convidado em diversas orquestras na Bulgária e Estados Unidos. No Brasil, antes de começar na Osuel, em 1996, na qual também trabalha como regente adjunto, Ratchev atuou por nove anos em Belém (PA), primeira cidade em que morou quando chegou ao País com a esposa Irina Ratcheva, pianista da Osuel. A trajetória de Ratchev com a música, especificamente com o violino, começou muito cedo, aos seis anos de idade. Seu pai, apesar de não ter a música como profissão, tocava violino e bandolin; já a mãe cantou a vida toda em corais. "Tenho até hoje hoje a minha coleção de discos de vinil, guardada e cuidada por meu pai lá na Bulgária”, alegra-se. A seguir, conheça um pouco mais sobre a vida de Ratchev.

O que mais gostava de fazer na escola quando criança?

Eu gostava de tudo, mas principalmente das aulas de História, Geografia e Música, esta oferecida sempre de modo lúdico, com o fim de descobrir talentos e habilidades.

Qual a melhor lembrança desse período de escola?

A escola ficou marcada na minha lembrança pela qualidade dos professores, a seriedade das disciplinas - éramos duramente expostos se não cumpríssemos regras. Havia notas por comportamento e o tempo todo os pais estavam cientes do que acontecia na escola.

Os professores eram muito rígidos?

Sim. Mas havia um extremo respeito em relação a eles. Fazíamos provas orais que pareciam armadilhas, a nota máxima era 6.

Havia alguma matéria que gostava mais? E qual era a que gostava menos?

Eu era bom nas notas. Não o tempo todo excelente, era bom. Também praticava esportes e as aulas de música, mas de modo geral era um bom aluno. Eu não gostava muito de Química, mas tinha interesse.

 Evgueni Ratchev: "Evgueni Ratchev: “Quando sou chamado a dar aula, peço que os pais me permitam que se eu descobrir que a música não é dom da criança, possa ser franco”
Evgueni Ratchev: "Evgueni Ratchev: “Quando sou chamado a dar aula, peço que os pais me permitam que se eu descobrir que a música não é dom da criança, possa ser franco” | Foto: Saulo Ohara/ Divulgação

Como era a sala de aula na Bulgária?

As turmas tinham 30 alunos em média. Na bancada, toda de madeira, eram dois alunos e havia lugar para colocar embaixo os livros e a bolsa, tudo muito confortável.

O que você gostava de comer na hora do recreio?

Cada um levava o seu sanduíche ou comprava na lanchonete, muito acessível. Gostava dos 'croissants' com queijo, doces e biscoitos.

E as brincadeiras?

Nos intervalos, brincávamos de pular quadrados - amarelinha. Na maioria das aulas de Educação Física também podíamos brincar de bola, basquete e eram atividades não competitivas – grandes lembranças também.

Como era o uniforme?

Havia um padrão e as meias das meninas iam até o joelho. Meninos usavam calça curta até certa idade, mas short não. O sapato era social preto, a camisa padrão por dia da semana e tênis só nos dias de Educação Física, que também tinha um uniforme especial. Usávamos bolsa lateral e em outra sacolinha ia o tênis e a roupa da Educação Física.

Quem eram seus ídolos nessa época?

Nessa época, o nosso contato com os artistas era pelo jornal impresso, também íamos muito ao teatro com nossos pais para acompanhar concertos. Mas nossa principal forma de conhecer os artistas era por meio dos discos de vinil. Eu os tenho até hoje em uma coleção com mais de 3 mil discos. Lá estão o violinista russo Leonid Kogan, o violinista americano Jascha Heifetz, o cantor de ópera Boris Chistov e o pianista russo Svetoslav Richter.

Como pais e educadores podem inserir a música na educação?

A música é muito especial e está comprovado cientificamente todos os benefícios que ela traz para o desenvolvimento das crianças e do ser humano em geral. A música faz parte de nossa formação, estimula o raciocínio e muitas habilidades para todas as áreas. Acredito que seja importante, desde pequeno, tentar descobrir o dom da criança. Quando sou chamado a dar aula, peço que os pais me permitam que se eu descobrir que a música não é dom da criança, possa ser franco. Pois acredito que se o talento da criança é outro, os pais devem mudar o foco.

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