Reggae, sol e praia são o forte da Jamaica
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quarta-feira, 08 de novembro de 2006
Fábio Vendrame<br> Agência Estado 
Montego Bay - A Jamaica é reggae, sol e praia. É amarela, verde e preta na bandeira nacional, ostentada com orgulho pelo povo. É paz, amor e respeito, bordão repetido a todo momento pelos locais ao cumprimentar amigos e turistas. Em vez do aperto de mão, um gesto de punho cerrado que termina com um toque em direção ao coração e a frase ''one love, one love''. A Jamaica fala inglês. A expressão ''no problem!'' é adicionada ao fim de quase toda frase, num sinal de que os visitantes não têm com o que se preocupar. E não têm mesmo. O forte do turismo na terceira maior ilha do Caribe são os resorts de sistema ''all-inclusive'' (tudo incluído).
Esses redutos de boa-vida garantem o melhor em conforto e paparicos. Assim que chegam a um hotel da rede Sandals, uma das maiores do Caribe, os visitantes são recebidos com coquetéis e ganham uma nécessaire completa, com xampu, condicionador, hidratante e cremes.
Do lado de fora dos resorts, a Jamaica também fala patois, dialeto que mistura espanhol, inglês e línguas africanas. ''Entre nós preferimos falar o patois (eles pronunciam ''pátua'' e não ''patuá'', como se fala no Brasil), porque o inglês é uma língua que nos foi imposta, não nos traz boas recordações'', diz o artista jamaicano Andrew Peart.
Descoberta em 1494 por Cristóvão Colombo, a ilha ficou sob o jugo espanhol até 1655, ano em que os ingleses tomaram posse. O trabalho de escravos africanos nas lavouras de cana-de-açúcar foi uma constante até a abolição, em 1834. E a independência só ocorreu em 1962, mesmo assim a muito custo.
Peart, como todo jamaicano, faz questão de falar da história de seu povo, que levou séculos para escolher seus representantes, para ter bandeira própria. ''O verde, de nossas plantações e riquezas naturais, é a esperança; o amarelo, do sol que brilha sempre forte e quente, é a nossa perseverança; e o preto, cor da nossa gente, é o nosso orgulho.''
Nesse longo processo rumo à independência, o povo jamaicano fundiu influências culturais até encontrar identidade própria, expressa sobretudo na música reggae. Ícone máximo do ritmo, Robert Nesta Marley - o Bob Marley - deixou ao mundo uma mensagem de paz. Mas também de coragem: suas letras exigem respeito, exaltam o amor e lembram que jamais se deve deixar de lutar por seus direitos.
A adoração ao músico não é coisa só para turista ver - Bob estampa camisetas, pôsteres, máscaras e quadros, como os pintados por Peart. ''Ele não foi: é e sempre será uma lenda, alguém que veio para jamais ser esquecido.''
Apesar de referências a Bob Marley estarem por toda parte, quem quiser saber mais sobre o músico morto precocemente aos 36 anos, em 1981, deve ir até Nine Miles, cidadezinha nas montanhas a cerca de duas horas de carro de Ocho Ríos. Ali, os turistas poderão ver a casa em que Bob nasceu e os locais onde buscava inspiração.
Peart recomenda o passeio. ''Acho que é uma boa maneira de se integrar com a Jamaica'', diz, de frente para o mar de Negril, destino da moda no país. Antigo reduto hippie, a cidade recebeu uma avalanche de investimentos nos últimos anos e hoje está pontuada de resorts e endereços badalados, como o Rick's Café. Um roteiro na Jamaica não pode deixar de fora esse paraíso, onde a legislação impede que as construções ultrapassem a altura das palmeiras.
Entre Negril e Whitehouse, outro destino que começa a despontar, está o circuito de cachoeiras de YS Falls. A série de sete quedas-d'água é programa para toda a família, ideal para se refrescar do calor na ilha, onde os termômetros marcam sempre algo entre 28 e 35 graus.
Negril é imperdível, mas tudo começa em Montego Bay. A 1h10 de avião de Miami, a cidade virou a capital turística. Tem o maior aeroporto do país, ótima rede de hospedagem e diversos atrativos. A capital oficial da Jamaica, vale lembrar, é Kingston, mas, em geral, os pacotes das agências de viagens passam longe da metrópole de 1 milhão de habitantes, por ser considerada violenta.
A partir de MoBay, modo como a cidade é chamada pelos jamaicanos, tem início uma viagem de descobertas e de muita boa-vida - nos resorts, é claro -, pautada desde o momento do desembarque pela trilogia paz, amor e respeito.
Viagem feita a convite da rede Sandals & Beaches Resorts.


