Reggae pop em várias versões
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de junho de 1999
Nelson Sato 
Promover artistas em períodos de entressafra, no intervalo entre o lançamento de um disco e outro, é uma tarefa inglória para muitas assessorias de gravadoras.
Tenta-se de tudo para mantê-los em evidência, incluindo aparições duvidosas na TV e entrevistas forçadas na imprensa. Lançar álbuns ao vivo, acústicos ou coletâneas de sucessos é quase sempre o recurso caça-níqueis mais utilizado no meio.
Em alguns casos, a medida tapa-buracos transforma-se em fenômeno de vendas. Nesse tópico, o estouro dos Titãs dispensa comentários. O mesmo vale para Caetano Veloso, que há séculos não via cópias evaporarem das lojas como agora com as tiragens de seu álbum ao vivo Prenda Minha.
Aos poucos, porém, as gravadoras brasileiras começam a explorar uma nova modalidade de registro musical: as versões remix. Para festejar os 15 anos do Cidade Negra, a Sony apostou nesse novo formato e na fórmula antiga, colocando simultaneamente no mercado os CDs Hits e Dubs.
O pacote chega esta semana às lojas. A gente vê esse lançamento como uma homenagem ao grupo, diz, por telefone, o guitarrista Da Gama. O primeiro disco, como o título já diz, reúne 14 dos principais sucessos da carreira do grupo da Baixada Fluminense incluindo as faixas Falar a Verdade e Na Frente da TV, ainda com Bernardo Rangel nos vocais (ele seria substituído por Toni Garrido, em 95).
Além delas, traz canções como Onde Você Mora?, A Estrada, Downtown e Eu Também Quero Beijar - todas, dentro da receita reggae pop que consagrou o quarteto. Já o segundo CD traz novidades para os fãs, e também para o público em geral curioso em saber como ficaram as versões dub. Da Gama salienta que este é o primeiro disco de reggae nacional produzido integralmente com dubs. Mas faz justiça aos Paralamas, lembrando que o grupo de Herbert Vianna teria gravado uma canção nesse formato no álbum Selvagem.
Dub, inventado por DJs jamaicanos, consiste em manipular músicas em estúdio adicionando efeitos diversos (ecos, delay, etc.) sobre as versões originais alterando, alongando ou subtraindo vocais e riffs instrumentais. O sucesso do dub gerou uma paixão à parte dentro do reggae, com muita gente passando a consumir exclusivamente esse estilo.
No disco do Cidade Negra estão presentes alguns mestres do gênero, como os DJs e produtores Mad Professor e U Roy, a dupla Sly & Robbie, os grupos Aswad e Steel Pulse e o respeitável Lee Perry (um dos inventores do dub). Da Gama conta que o projeto desse CD foi desenvolvido nos últimos três anos, mas era um sonho antigo, de uns 7 anos atrás.
Ele conta que todos os artistas convocados para assinar as faixas foram escolhidos a dedo pela banda. Fizemos contatos e demos opções de escolha oferecendo quatro músicas para cada produtor. Não interferimos em nada, afinal muitos deles são experts em reggae e dub. Deixamos todos bem à vontade, sublinha o guitarrista.
Além do elenco internacional, o CD inclui dubs caseiros. Quatro faixas são assinadas por brasileiros, inclusive por Lazão e Bino, integrantes do próprio Cidade Negra. A banda, que fez show em Curitiba no último final de semana, continua em turnê pelo País. Em julho, saem em excursão pela Europa, onde os dois CDs serão lançados.


