Reggae paranaense brilha na terra do axé-music
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Celina Alonso Az 
A banda Afrodizia, formada há cinco anos por estudantes universitários de Maringá, acaba de voltar de Salvador com um monte de elogios, a participação em CD e muitas promessas na bagagem. Eles tiveram duas músicas selecionadas, entre 200 de todo Brasil, para participar da II Bienal de Cultura da UNE, que terminou há dez dias. Com o grupo Dendêcumjah de música de raiz e o Neo Tao, de Artes Cênicas, o Afrodizia foi considerado um dos três melhores da mostra.
O prêmio foi sua participação num CD gravado ao vivo com as 40 melhores músicas da Bienal, o assédio da imprensa, convites para shows em Salvador e aparição em programas de TV. Para os integrantes isto representa muito porque até então só tocavam em festas de Maringá e em alguns shows e bailes sem muito destaque na mídia. No Cinema Café de Maringá acompanharam a Tiazinha do H.
O Afrodizia começou fazendo pagode, pop e rock. Com o tempo fomos amadurecendo e nos especializamos num reggae bem soft, meio pop, diz Anderson Lonardoni. Fazemos um reggae meio Skank, meio Cidade Negra, até a crítica disse isso nos jornais sobre o nosso estilo, lembra Antonio Sheen, o baterista.
Enquanto o sucesso não vem, os músicos do Afrodizia continuam estudando em outras áreas. Sheen é estudante de Fisioterapia na UEL, Priscilla Cantarelli (teclados) estuda Farmácia na UEM, Breno Bernardelli (guitarra base) é estudante de Administração, Anderson Lonardoni (baixo) faz Ciênica da Computação na UEM, e Daniel Malker (guitarrista e vocalista), estuda Direito em Maringá. Foi Malker quem compôs as duas músicas selecionadas para a Bienal de Salvador. Noite e Dia com Você, sobre um caso de amor e Montanha da Paz, sobre estar de bem com a vida e em paz com a natureza.
De volta a Maringá, o Afrodizia já se enfiou de novo no Digital Estúdio onde está terminando de gravar seu primeiro CD, ainda sem nome. São doze canções com levadas diferentes, mas em muitas delas procuramos dar um toque nosso, brasileiro com um gostinho de Paraná, avisa Anderson Lonardoni.
Depois da participação na Bienal o grupo recebeu de empresários e de produtores que estavam na cidade alguns convites para mostrar seu trabalho nas casas noturnas da capital baiana. Os músicos visitaram estúdios, deram entrevistas e receberam a promessa de assim que pintar o primeiro CD ele será distribuído nas rádios baianas e em algumas do Rio e São Paulo. Queremos atingir a mídia, diz Priscila.
O CD vai mostrar um pouco do que o Afrodizia produziu recentemente. Além das duas que gravaram no CD de Salvador, tem ainda Simples Cidade onde eles brincam com palavras num reggae com guitarra de rock. Tem Larga do Meu Pé do Antonio Sheen, com uma letra bem-humorada falando sobre pessoas grudentas que vivem pegando no pé dos outros. Com muita saudade de Bob Marley, aparece no CD a Ser Humano - um roots de Antonio Sheen que fala da dificuldade dos pobres que muitas vezes não são considerados seres humanos. As outras músicas a gente conta quando o CD ficar pronto, brinca Malker.


