Refresque-se em Carrancas
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segunda-feira, 06 de novembro de 2000
Mary Persia de Oliveira Agência Estado 
Os chegados num friozinho que perdoem a brasilidade do nosso clima e o aquecimento gradual do planeta: para os próximos seis ou sete meses, no mínimo, a previsão é de muito sol e calor em todo o País. Aventureiros, preguiçosos, jovens e nem tão jovens assim podem rumar para o sul mineiro: na região de Carrancas há mais de 50 cachoeiras e poços de água cristalina, perfeitos para as temperaturas que, parecendo ter adotado o lema do Superman (Para o alto e avante), queimam o coco de qualquer cidadão.
Carrancas fica ao sul de Belo Horizonte. Desta, está separada por 286 quilômetros; de São Paulo, por 411 (pela Rodovia Presidente Dutra) a 430 (Rodovia Fernão Dias) quilômetros; e do Rio de Janeiro, por 421 quilômetros. Distante das metrópoles, ainda não se transformou num grande pólo turístico, mas tem infra-estrutura suficiente para acolher e tratar bem o visitante. A cidade é pequena são pouco mais de 4 mil habitantes e só 231 carteiras de motorista (!) e possui aquela configuração básica igreja/pracinha/prefeitura que dá um certo charme ao local.
As atrações naturais, assim como a maioria das pousadas, ficam a alguns quilômetros do centro da cidade. Prepare-se para andar muito. Algumas trilhas desenhadas nas quatro serras da região (de Carrancas, da Chapada das Perdizes, do Moleque e das Bicas) consomem horas de pernada. Nada exclusivo para profissionais. Apenas leve dois pares de tênis bem confortáveis e curta o passeio.
A cachoeira da Fumaça é um dos principais cartões-postais de Carrancas. A 6 quilômetros do centro, faz parte do Complexo da Fumaça, formado por três rios com diversas quedas dágua.
O Complexo da Zilda também tem uma cachoeira como principal atrativo, mas isso é apenas a ponta do paraíso. Distante 12 quilômetros do centro, recebe as águas do Rio Capivari (onde se faz rafting) e faz delas muito bom proveito: quedas dágua, um escorrega que deságua num poço cristalino, uma pequena praia e, claro, a Cachoeira da Zilda. Para quem acha pouco, há ainda uma gruta com 150 metros de extensão e um rio subterrâneo.
Já a cachoeira do Grão-Mogol não tem praia, mas tem belíssimas formações rochosas, além de dois poços. Assim como a da Esmeralda, tem caminho fácil; não se leva mais do que 20 minutos para atingi-la.
Outras cachoeiras, para quem tiver mais tempo (e perna), são a da Serrinha, Moinho, Anjos, Arco-Íris, Andorinhas, Tira-Prosa, Vargem Grande, Salomão e Véu da Noiva. Caso faltem tempo e pernas, uma boa dica é fazer uma trilha Três-em-um: seguindo pelo mesmo caminho, chega-se aos poços do Remo, da Canoa e do Pulo. É ir andando e se refrescando.
Além da Gruta da Zilda, a região conta com as grutas da Toca, da Cortina (com clarabóias naturais) e da Ponte. Esta última tem claustrofóbicos 300 metros de extensão em determinados pontos, é preciso agachar-se para passar. Só para corajosos e prudentes, devidamente acompanhados por um guia.


