Reformulado, 'Zorra' tenta conquistar com novo humor
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sábado, 23 de maio de 2015
Geraldo Bessa <br>TV Press 
É perigoso, mas necessário mexer com o tradicional. Há 16 anos ocupando as noites de sábado, o "Zorra Total" sempre foi sinônimo de humor tosco e familiar. No entanto, garantia boa audiência com seus quadros amparados por bordões, mulheres voluptuosas e um clima cafona de chanchada tipicamente brasileiro. Contrariando a máxima de que "em time que está ganhando não se mexe", a Globo resolveu alterar a rota do programa de forma profunda. Sem o "Total" no título e subvertendo todas as bases anteriores, a proposta de Marcius Melhem e dos diretores Mauro e Maurício Farias não só renova o "Zorra", mas entrega alguma relevância ao humor da emissora.
Bebendo nas mesmas referências do "Tá no Ar A TV na TV", programa também idealizado por Marcius, o "Zorra" ambienta seu humor na mistura de "sitcoms" americanas "nonsense" como "Seinfield", na voracidade "web" do "Porta dos Fundos" e na ironia da trupe do "TV Pirata". Entretanto, faz isso sem a pretensão de reinventar qualquer coisa. De forma bem realizada e produzida, leva o programa para fora dos estúdios e se garante com texto regular e ótimo elenco. O destaque fica por conta da interação de medalhões como Antonio Pedro e Tony Tornado e recém-chegados como Luís Miranda e Dani Calabresa. O grande problema no programa é conseguir sustentar a força de seu roteiro e ar de novidade com quatro edições mensais.
Os quadros mais rápidos, a comédia menos histriônica e o fim da claque saúdam os novos tempos, mas podem causar estranheza nos mais puristas. Muitas vezes, o "Zorra" chega ao humor no silêncio e, diferente da era Maurício Sherman, todas as mulheres do elenco estão totalmente vestidas em cena.
Em um complicado equilíbrio de forças, nomes de destaque do antigo programa como Rodrigo Sant'anna e Thalita Carauta somem com esse tipo de humor que nada tem a ver com os esquetes de sucesso popular protagonizados pela dupla no passado. Na contramão, Mariana Santos e Nelson Freitas se mostram bem mais à vontade com o novo formato.
Totalmente diferente do que o público do humorístico está acostumado, o "Zorra" passa veloz e tem fluidez. Pode soar repetitivo ao ser colocado ao lado do "programa-irmão" exibido às quintas e não ser engraçado como o usual público de sábado espera. Mas, pelo menos, não subestima mais os telespectadores.


