Reforma revelou traços originais
Além das obras de recuperação arquitetônica, o Theatro da Paz também passou por uma sofisticada modernização. A recuperação arquitetônica preservou os elementos históricos e decorativos do teatro, devolvendo-lhe o aspecto original.
Mas todas as áreas do teatro, instalações e equipamentos necessários às grandes montagens artísticas foram providenciadas, explicou o arquiteto Paulo Chaves, secretário de Cultura do Pará e autor do projeto de recuperação do teatro. Hoje, o Theatro da Paz tem a grandiosidade e o luxo dos velhos tempos e a melhor tecnologia dos dias atuais. É um teatro histórico e moderníssimo, resume.
A modernidade foi garantida por várias intervenções no prédio. A redes elétrica e hidráulica foram trocadas, assim como o sistema de ar condicionado. Os camarins foram duplicados e as salas de ensaio e administrativas ganharam visual moderno e adequado. O piso do palco, que era fixo, agora tem quarteladas sistema de praticáveis móveis que permite a utilização de vários planos. Os degraus de acesso de artistas ao palco, onde certa feita a atriz Fernanda Montenegro levou um tombo memorável, foram substituídos por rampas suaves e seguras.
O fosso da orquestra ganhou novo tratamento acústivo e mais espaço, graças à eliminação dos pilares que sustentavam o antigo piso. Os urdimentos varas que sustentam os cenários também foram trocados. E o novo sistema de iluminação cênica é controlado por computador.
Durante a execução da reforma, algumas curiosidades chamaram a atenção. Descobriu-se, por exemplo, que o telhado do prédio abrigava nada menos que 12 tipos diferentes de telha. O modelo original foi detectado e todo o telhado substituído, numa operação que envolveu a instalação de 60 mil telhas, amarradas uma a uma, com a utilização de 12 quilômetros de arame de cobre. Além disso, abaixo das telhas foi instalada uma manta de proteção, para eliminar a possibilidade de infiltração de água.
A definição do mobiliário original da sala de espetáculos também foi trabalhosa. A equipe de restauro descobriu que havia cadeiras da platéia em oito diferentes tipos de madeira e teve que detectar o modelo original, para só depois iniciar a recuperação de cada uma.
A restauração das pinturas decorativas das paredes e do teto (pintado por Domenico de Angelis), exigiu tempo e perícia. Nas paredes, o trabalho de prospecção das camadas de tinta detectou áreas com até nove pinturas sobrepostas todas removidas com espátula de dentista, até se chegar aos desenhos originais. No total foram dois anos de trabalho e investimento de R$ 6 milhões.





