Reforma do Ouro Verde, enfim, sairá do papel
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2002
Francelino França Reportagem Local 
Uma programa de exumação patrimonial pretende mobilizar o cenário cultural paranaense em 2002. O projeto Velho Cinema Novo, alavancado pelo Governo do Estado do Paraná, numa primeira etapa, deve restaurar 11 cinemas de rua, abandonados e mutilados pela ação do tempo e do descaso político. O projeto custará de R$ 8 a R$ 12 milhões, parte do empréstimo de R$ 200 milhões que o governo estadual está pleiteando junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A assessoria de imprensa do governo afirma que as negociações estão num estágio avançado e o BID deu sinal verde para a continuação das conversas sobre o empréstimo. Segundo levantamento da Secretaria de Estado da Cultura, existem 26 cinemas desativados cujas reformas podem propiciar um resultado próximo ao projeto original. Estão na lista do Velho Cinema Novo as seguintes cidades: Andirá (Cine São Carlos); Apucarana (Cine Apucarana); Arapongas (Cine Teatro Mauá); Castro (Cine Marajá); Guaíra (Cine Sete Quedas); Jacarezinho (Cine Iguaçu); Loanda (Cine Teatro Loanda); Londrina (Cine-Teatro Ouro Verde); Morretes (Theatro Municipal de Morretes); Rio Negro (Antigo Seminário) e União da Vitória (Cine Luz).
Os cinemas foram escolhidos levando em consideração a localização e por serem espaços arquitetônicos referênciais. O Cine-Teatro Ouro Verde carrega a procedência nobre de ser uma edificação tombada pelo patrimônio histórico do Paraná, num projeto assinado por Villanova Artigas. Além disso, pertence ao poder público.
A Folha 2 conversou, por telefone, com a coordenadora do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura Maria Luiz Marques Dias. Ela adiantou que o projeto arquitetônico do Ouro Verde é um dos mais complicados e se encontra na fase final de implementação. As licitações estão previstas para acontecer no final de fevereiro e início de março. Depois, depende de cada projeto para o início das obras. A reforma do Ouro Verde deve durar cerca de três meses, garante Maria Luiza.
O projeto prevê a reforma dos cinemas, dotando-os tecnicamente para apresentação de teatro e outros espetáculos. O programa Velho Cinema Novo se propõe a fazer um contrato com três distribuidoras para baratear o preço dos ingressos, deixando no patamar de R$ 2,00.
Por suas peculiaridades, o Cine-Teatro Ouro Verde - um local multi-uso da Universidade Estadual de Londrina e da comunidade - a paralisação para as reformas e depois a utilização do espaço revitalizado, deve reestruturar a vida cultural na cidade. O palno de reforma leva a assinatura do arquiteto e professor universitário de Londrina Humberto Yamaki, que entregou o projeto no último dia de prazo dado pelo governo estadual, dia 7 de janeiro. Yamaki passou as festas de final de ano debruçado sobre a prancheta detalhando o recauchutamento do paciente agonizante. Apesar de a Secretaria Estadual de Cultura falar sobre o programa, Yamaki ainda tem algumas reservas em mostrar o projeto de reforma para a comunidade.
Alcides Carvalho, diretor da Casa de Cultura, braço cultural da UEL, colocou na gaveta um antigo projeto de construção dos camarins do Ouro Verde, com cinco andares. O projeto de Humberto Yamaki prevê a construção de Cyber Café no hall de entrada, camarins em dois pisos e a reforma dos já existentes. O ciclorama, grande tela semicircular no fundo do palco, será substituído por uma tela retrátil na frente do palco. Com isso, teremos dois metros de aprofundamento do palco. A reforma prevê a reforma acústica, do aparato eletro e eletrônico, das poltronas e climatização, resume Carvalho. Com a reforma, a Casa de Cultura quer o Ouro Verde auto-sustentável. O local em situação de deterioração e com agenda amarrada com inúmeros eventos, muitos espetáculos musicias e teatrais deixam de passar por Londrina.
O orçamento proposto pela Casa de Cultura para a reforma do Cine-Teatro Ouro Verde é de R$ 2,8 milhões. No rol de promessas existem R$ 18 milhões destinados à UEL, cuja fração de R$ 1 milhão tem como destino a reforma do Ouro Verde. A verba sai dos cofres do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, há R$ 400 mil previstos no orçamento da União para o Cine-Teatro Ouro Verde. Por enquanto, nenhum real efetivamente chegou para a reforma tão esperada pela comunidade.
A Secretaria Estadual de Cultura prefere não se manifestar ainda sobre o programa Velho Cinema Novo antes de a verba do BID ser liberada. Os projetos dos 11 cinemas estão passando pelas diversas comissões. Há urgência para o início das obras, segundo a Folha 2 apurou. As cidades estão localizadas em pontos estratégicos do Paraná e no período de inaugurações devem movimentar politicamente o Estado com toda pompa e circunstância.
Alcides Carvalho faz um convite aos produtores culturais da cidade para uma reunião no dia 1º de março, nas dependências do Cine-Teatro Ouro Verde, às 9 horas. O intuito da reunião é ouvir propostas dos produtores para a reforma do espaço.


