Produções bíblicas sempre foram o forte da Record. Desde que começou a nova fase de sua teledramaturgia, em 2004, a emissora obteve apenas alguns êxitos em suas novelas, como em "Vidas em Jogo" e na trilogia "Mutantes". Mas as minisséries religiosas sempre renderam bons frutos. Por isso, optar por um folhetim bíblico era uma questão de tempo.
Com "status" de superprodução – com direito até a cenas pós-produzidas em estúdios nos Estados Unidos –, "Os Dez Mandamentos" estreou no último dia 23 com promessa de alavancar o segmento. Depois do fiasco de "Vitória", apesar do bom texto de Cristianne Fridman e das boas atuações pontuais, a Record decidiu mudar o horário da produção.
Não competir diretamente com "Babilônia", no horário das nove na Globo, talvez tenha sido a melhor estratégia adotada pelo canal. Com exibição mais cedo, às 20h30, "Os Dez Mandamentos" conseguiu a melhor audiência de estreia em cinco anos: 12 pontos.
Para contar a história de Moisés, interpretado por Enzo Sami e, posteriormente, por Guilherme Winter, Vívian de Oliveira – que tem no currículo as minisséries "A História de Ester", "Rei Davi", "José do Egito" e "Milagres de Jesus" – repetiu a parceria com o diretor Alexandre Avancini. Com uma trama cheia de intrigas familiares, jogos de poder e amores proibidos, a dupla tem texto e direção afiadas. A certa morosidade no roteiro de Vívian é um bom contraponto para o olhar ágil e apurado de Avancini.
As imagens, algumas capturadas no Deserto do Atacama e outras, no opulento cenário montado no RecNov – complexo de estúdios da Record localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro –, são críveis e bonitas de se ver. O figurino e direção de arte também são um acerto na produção, que se especializou bem nas minisséries.
Boas locações, cenários e texto não seriam suficientes para alavancar o horário se não fossem boas atuações. Sempre meio exagerada e fora do tom, as novelas da Record tendem a pecar nesse quesito. No entanto, isso não parece acontecer em "Os Dez Mandamentos". Na primeira semana, Samara Felippo, intérprete da Joquebede, e Zé Carlos Machado, o faraó Seti I, foram os destaques. Seguros e com a dose certa de emoção, eles representaram bem seus papéis.
Depois de colher bons frutos com as minisséries bíblicas, o provável é que a novela épica vá pelo mesmo caminho. Basta a Record respeitar o horário e o limite de quantidade de capítulos para a trama não se tornar arrastada como acontece em seus folhetins.

"LICENÇA POÉTICA"


Vívian diz ser fiel à Bíblia em relação aos personagens e à história, de forma geral. Porém, ela conta que precisa usar alguns artifícios para desenvolver o enredo de alguns dos núcleos da trama. "Uso bastante de licença poética para dramatizar a novela, como no caso do triângulo amoroso entre os protagonistas, que não existiu na realidade. Mas achei que caberia, a fim de dar maior fluência à história", reconhece.
Além do problemático caso de amor envolvendo Ramsés, Nefertari e Moisés, a autora conta que teve de mudar mais coisas. "Na Bíblia, não existia a figura do Ramsés como eu coloco. Tive que juntar peças para criar uma narrativa. Eu fui fiel à Bíblia, mas se eu contasse exatamente a mesma história não poderia encher 150 capítulos." (com Folhapress)


Serviço:
"Os Dez Mandamentos" – De segunda a sexta, às 20h30, na Record

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