Grandes polêmicas culturais nasceram em páginas de revistas. O fenômeno é notável tanto na Europa como nos Estados Unidos, onde intelectuais de todos os matizes já viram suas reputações abaladas ou prestigiadas a partir de idéias veiculadas em publicações culturais acadêmicas.
No Brasil, títulos do gênero prosperam em grande quantidade no meio editorial à margem das prateleiras de bancas e livrarias. Mas justamente devido à precariedade da distribuição, a repercurssão de qualquer tese audaciosa fica reduzida a réplicas e tréplicas entre os contendores e uma audiência limitada a ‘‘meia dúzia’’ de leitores.
Com o lançamento da revista Novos Olhares e a publicação da 40ª edição da Revista USP, tenta-se mais uma vez romper esse círculo vicioso. Novos Olhares é produzida por uma turma de alunos e professores da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.
Seu objeto de estudo são as ‘‘Práticas de Recepção a Produtos Mediáticos’’, como eles anunciam no texto de apresentação da revista. O tema, que assusta qualquer leigo já a partir do título complicado, é desenvolvido em quatro artigos não menos complexos assinados por teóricos daqui e de fora - um deles é o colombiano Jesús Martín-Barbero, autor do livro Dos Meios às Mediações.
Reprodução‘‘Novos Olhares’’: análises sobre a recepção a produtos mediáticosO texto de Barbero abre a revista, tratando das relações entre os meios tecnológicos e a vida social. Contra as teorias que culpam a TV pela padronização cultural, ele afirma que ‘‘o mais forte e mais sutil homogeneizador é a cidade, que impede a expressão e o crescimento das diferenças’’.
Diz mais: ‘‘se a televisão atrai, isso é em boa parte porque a rua expulsa. É a ausência de espaços para comunicação - ruas e praças - que faz com que a televisão seja um lugar de encontro, algo mais que um instrumento de ócio’’. Também enfatizando a televisão, seis páginas trazem uma entrevista com o sociólogo Sérgio Adorno, que aborda a vinculação dessa mídia com a violência urbana.
Menos especializada, mas não menos densa em reflexões, a Revista USP chega à sua 40ª edição discutindo arte e contemporaneidade. O lançamento da publicação festeja também seu décimo aniversário e foi marcado, em São Paulo, por um debate que reuniu alguns dos autores dos ensaios reunidos em suas páginas.
O tema da capa é candente. ‘‘No ponto em que nos situamos hoje, parece menos pertinente tentar averiguar para onde vai a arte contemporânea do que saber onde ela estᒒ, provoca o texto de apresentação. O recheio inclui textos de Teixeria Coelho (ensaísta e diretor do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo), Gilberto Mendes (compositor e fundador do festival Música Nova), José Ramos Tinhorão (crítico e historiador de música popular brasileira), Annateresa Fabris (professora de artes na USP e autora do livro Cândido Portinari), Ricardo Basbaum (artista plástico carioca) e outros colaboradores.ReproduçãoRevista USP: traz artigos de Teixeira Coelho e José Ramos TinhorãoNelson Sato

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