Reféns dos números
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Anna Bittencourt<br>TV Press 
A corrida pela audiência faz as emissoras atirarem para todos os lados. Por isso, muitos programas são "testados", mas nem sempre vingam. Quando os telespectadores não se empolgam com o produto, as produções podem sofrer abruptos cancelamentos e, sem aviso prévio, ser cortadas da grade.
O motivo dessa ruptura pode ser a resposta da audiência, refletida no Ibope. Mas não é o único. Problemas com a agenda de atores, formatos desgastados, inadequação de horário na grade são algumas das razões. "Não existe programa bom ou ruim. O que tem é os que funcionam mais e os que funcionam menos. Mas isso tem a ver com a 'pegada', com a temática", contextualiza Maurício Farias, que mescla em seu currículo êxitos como "Tapas & Beijos" e fracassos como a série "Aline".
Entre os programas que, pelo menos a princípio, não deram certo na lista do diretor está "Junto & Misturado". Cancelado em 2010 quando sua segunda temporada já estava sendo gravada, o humorístico acaba de voltar à grade da Globo. "Foi muito de repente. Me ligaram em uma quarta-feira cancelando as gravações de quinta e sexta. Ali, já senti que o projeto seria engavetado", relembra Bruno Mazzeo, ator e redator-final do seriado. Em um novo dia e horário antes exibido nas noites de sexta, o programa passou para domingo à noite , "Junto & Misturado" ganhou uma sobrevida e a chance de entrar nos planos da emissora para 2014.
Às vezes, o formato inovador, no caso do programa encabeçado por Bruno Mazzeo, ou tradicional, como os vespertinos de auditório é que leva a não fidelizar a audiência. Em 2012, o "Muito+", comandado por Adriane Galisteu na Band, também foi cancelado. Durante 10 meses, ele ocupou as tardes da emissora. E foi perdendo assunto e audiência até ter o fim anunciado. "Recebi um telefonema no meio da gravação. Fiquei muito triste, mas estou acostumando. Já vivi isso algumas vezes e essa não será a última", conforma-se a apresentadora, que estará à frente do reality show "Quem Quer Casar Com Meu Filho?" a partir de janeiro de 2014 na mesma emissora.
O formato desgastado de outros programas, como por exemplo, "Famoso Quem?" e "Astros", ambos do SBT, também saiu do ar depois do fracasso na briga pelo segundo lugar de audiência.
Com motivos de sobra para explicar o fracasso de certas produções, compreender o sucesso de outras é tarefa mais complicada. Neste sentido, a série "Os Normais", estrelada por Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres, percorreu um caminho inverso. Para José Alvarenga Jr, diretor da sitcom que teve sua última temporada em 2003, foi importante parar no ápice do sucesso. "Chegamos no auge da criatividade. Depois da terceira temporada, ou a gente parava ou viraríamos um programa qualquer. E, em comum acordo, foi decidido acabar com a série", relembra Alvarenga.
A incompatibilidade de agendas também é um importante fator na hora de decidir o futuro de uma produção na tevê. "Em 'Macho Man', era muito difícil conciliar as gravações com a rotina do Jorge Fernando. E em 'Força-Tarefa', era complicado segurar o Murilo Benício, um cara sempre requisitado para fazer novelas", explica Alvarenga, citando o antecipado fim de outras produções que também dirigiu.
Antes de optar pelo cancelamento definitivo da produção, alguns programas chegam a tentar arranjar soluções para se adequar melhor ao gosto do público. Mudar o dia e o horário da exibição é a alternativa mais óbvia. O SBT é o que mais usa essa ferramenta. O "Casos de Família", programa que repercute dramas familiares comandado por Christina Rocha, teve três alterações de horário só este ano. Atualmente, a produção, que já foi diária, é exibida às quartas e nos sábados.
Além dessa manobra, outras modificações são feitas visando driblar o cancelamento. Ingrid Guimarães conta que foram muitas as tentativas antes do fim definitivo de "Batendo Ponto", série protagonizada por ela em 2011. "Me envolvi diretamente com a produção e acho que tínhamos um bom produto em mãos. Só que tevê tem essa coisa imediatista. Não deu certo uma ou duas vezes, já corta. Chegamos, inclusive, a modificar e regravar algumas coisas, mas não surtiu efeito na audiência. Então, foi o fim. Mas demorei a assimilar isso", relembra a atriz.
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