São Paulo Até o ano que vem São Paulo terá mais dez mil unidades hoteleiras. Dessas, 485 são do Hilton São Paulo Morumbi, que será aberto no dia 1º de outubro. A marca investiu US$ 90 milhões próprios no hotel, que será referência para outros empreendimentos da rede no mundo. As informações são de um cenário de crescimento no setor, mas na realidade a hotelaria na cidade passa por um momento de crise.
Há uma superoferta de quartos de hotel para uma demanda com pouco crescimento. O resultado disso é que as taxas de ocupação vêm apresentando quedas constantes. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP), atualmente a ocupação média nos hotéis da cidade fica em torno de 40%, enquanto há seis anos chegava a 80%.
Segundo consultores da área, a tendência é que os incorporadores evitem novos projetos nos próximos dois ou três anos, quando a situação deve voltar a melhorar. ''Duvido que algum investidor quisesse vir para São Paulo hoje'', diz o presidente da ABIH-SP, Nelson Baeta.
Até que a situação melhore, o jeito é encontrar formas de aumentar o número de hóspedes. Para as redes com unidades espalhadas pelo mundo, uma saída é trazer clientes de outros países para o Brasil. O Grand Hyatt São Paulo, aberto há duas semanas, já colocou essa fórmula em prática, testando a fidelidade de seus hóspedes. Outra tática é atrair não-hóspedes. Parte dos US$ 100 milhões investidos na obra foi para um spa e para um centro de eventos, que já tem agendadas festas badaladas como o baile de máscaras realizado pelo Museu de Arte Moderna.
Mas essas medidas não são suficientes para reverter a má fase enfrentada pelo segmento top dos hotéis. ''Estamos com metas bem realistas'', diz o diretor de Marketing do Hyatt, Allan Love. O objetivo da rede é fechar o ano com 35% de ocupação em São Paulo e chegar a 2003 com 45% dos 470 quartos ocupados.
O Hilton também vai investir em serviços diferenciados para conquistar clientes. Academia, restaurantes e quartos do tamanho de um apartamento são algumas das atrações do hotel, que ainda não divulgou as tarifas. O gerente-geral da marca no Brasil, Tom Potter, calcula que até o ano que vem a taxa de ocupação do hotel vai chegar a 45%, como resultado do trabalho ''agressivo'' que a rede já começou a fazer com agências internacionais de viagem e com clientes cadastrados. ''O mercado não vai voltar a ser como era há três anos, quando começamos a fazer os estudos para a instalação, mas vai melhorar nos próximos 18 meses.''
De acordo com levantamento da Hotel Investment Advisors (HIA), consultoria especializada nesse mercado, em 2000, 56% dos quartos de hotéis de luxo, como o Renaissance, tinham hóspedes. Atualmente, o índice está dez pontos porcentuais abaixo. ''Os investidores têm de ser criativos e torcer para o Brasil voltar a crescer'', diz o consultor da HIA, Ricardo Mader.
A Accor, que tem 73 hotéis em construção, só terá mais uma inauguração de unidades de médio padrão em São Paulo até o ano que vem. O Mercure da região da Avenida Paulista já teve todas as 154 unidades vendidas. A compra de quartos de hotel surgiu como uma boa possibilidade de negócio para pequenos investidores que acreditam na segurança de ativos reais. Com rentabilidade em torno de 12% ao ano, a operação, imobiliária e não hoteleira, contribuiu para o lançamento de muitas da novas unidades hoteleiras da cidade. A mesma fórmula valeu para os flats, que enfrentam ainda mais dificuldade que os hotéis.

mockup