Rede TV! tenta exorcizar perda de Pânico
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Geraldo Bessa<br>TV Press 
Algumas perdas demoram para ser devidamente superadas. E dois anos ainda não são o bastante para a Rede TV! esquecer que não conta mais com a trupe do Pânico, que se mudou para a Band. Afundada em dívidas, em 2012, a emissora atrasou os salários de boa parte de seu elenco e cortou orçamentos do ''Pânico na TV!'', seu programa de maior audiência e faturamento. Aproveitando-se de cláusulas contratuais, os humoristas acabaram assinando com a nova emissora, com direito a aumento de salário e boas verbas de produções. Para não ficar no prejuízo, a Rede TV! tenta, desesperadamente, encontrar um novo programa cômico que tenha a mesma repercussão obtida pela turma de Emílio Surita. A nova produção que copia o formato é o fraco ''Encrenca''.
De maneira preguiçosa, a emissora contratou apresentadores também oriundos do rádio o ''Pânico'' surgiu na rádio Jovem Pan de São Paulo para o comando da nova produção. No entanto, ao contrário de Eduardo Sterblitch, Márvio Lúcio ou Wellington Muniz, os ''novatos'' Tatola Godas, Dennys Motta, Angelo Campos e Ricardinho Mendonça carecem de carisma, "timing" de comédia para a tevê e, principalmente, bons personagens. Tudo no ''Encrenca'' só reforça que o programa é uma cópia barata do pior que o ''Pânico na Band'' tem apresentado nos últimos tempos. Do cenário em forma de arena, colorido e repleto de jovens, ao esquema anárquico das matérias, tudo soa mal copiado e sem qualquer tentativa de ser ao menos honesto.
É claro que uma cópia do ''Pânico na Band'' que se preze precisa investir em mulheres voluptuosas. E assim como seu ''primo rico'', o ''Encrenca'' abusa de "closes" ginecológicos. Alguns conseguem até soar um pouco mais grosseiros que os originais. No entanto, faltou critério na seleção de mulheres bonitas que ficam dançando em trajes mínimos. Apostando nos arquétipos já experimentados pelo ''Pânico na Band'', até uma ''ex-BBB'' foi contratada para integrar a trupe. No caso, Fani Pacheco assume, sem muita segurança, um posto equivalente ao de Sabrina Sato. Espirituosa e sem se levar a sério, Fani é uma das únicas que promete se destacar ao longo do tempo. O mesmo não se pode dizer de Carol Portaluppi que chegou a integrar, por um breve período, o elenco do programa original. Robótica e sem qualquer graça, ela acaba como uma versão insossa e nada engraçada da musculosa Nicole Bahls.


