Rede TV! aposta no 3D
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de julho de 2010
Folhapress 
O último dia 23 de maio marcou o início de uma nova era na televisão brasileira. Na data, a Rede TV! fez a primeira transmissão com tecnologia 3D da TV aberta no mundo. A atração escolhida para a estreia foi o ''Pânico na TV'', líder de audiência da emissora. ''A tecnologia envolve algumas particularidades, como equipamentos especiais e mudanças na técnica de enquadramento, no posicionamento das câmeras e no cenário. Nós pesquisamos e treinamos os profissionais porque acreditamos que esse é um mercado que tem tudo para crescer. Hoje, todos os nossos programas já podem ser vistos em terceira dimensão'', afirma Kalled Adib, superintendente de operações do canal.
Para transmitir em 3D, é preciso fazer a captação com câmeras especiais que produzem imagens duplas e simulam o que é visto tanto pelo olho esquerdo quanto pelo olho direito do telespectador. A ideia é gerar um efeito de profundidade. Para receber as imagens em casa, é necessário ter um aparelho compatível com a tecnologia, o que ainda é raro no Brasil. Poucas lojas vendem, e o valor de um televisor fica em torno de R$ 13 mil. ''O aparelho 3D está em fase de desenvolvimento, mas acredito que até a Copa de 2014 será algo acessível para o grande público. Quatro anos são mais do que suficientes para popularizá-lo'', defende Adib.
Não é só a Rede TV! que tem interesse em popularizar as transmissões em 3D no Brasil. A Globo captou imagens em terceira dimensão de desfiles de escolas de samba do Rio e de São Paulo nos Carnavais de 2009 e 2010. Além disso, no último dia 25 de junho, exibiu em 3D a partida entre Brasil e Portugal, pela Copa do Mundo, em duas salas de cinema, uma em São Paulo e outra no Rio. As demonstrações foram apenas para convidados, mas sinalizaram o interesse da Globo em investir na tecnologia.
Fernando Bittencourt, diretor da Central Globo de Engenharia, ressalta, porém, que esse é um assunto que ainda está sendo estudado com cuidado pela emissora. ''A tecnologia existe há 60 anos, mas é complexa e está em estado de desenvolvimento. Por enquanto, não tem sentido massificá-la. O modelo de negócios é uma incógnita.''
O engenheiro explica que, para a Globo, o modelo de TV em 3D está longe de ser definido. ''Não dá para colocar todo mundo para usar óculos e assistir à televisão. Estamos experimentando e tentando descobrir maneiras de melhorar a tecnologia. Nós queremos aprender a produzir e entender os custos envolvidos''.


