Red Hot toca amanhã só para 7 mil no Credicard Hall
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 07 (AE) - Eles vieram descendo desde os Andes. No dia 2, estavam em Santiago, no Chile, na Estación Mapocho, onde fizeram dois shows. "Yo estoy en Santiago, una ciudad muy bonita y cerca de los Andes", escreveu Flea (em um espanhol sofrível, segundo ele mesmo admite) em seu diário de bordo na Internet. "Soy muy feliz porque los inhabitantes (sic) de Santiago son muy sinceros y tienen corazones fuertes..." Depois, chegaram a Buenos Aires, onde agitaram durante dois dias o Luna Park, terça e quarta. Finalmente, é chegada a vez de São Paulo.
"Californication", o show único que o Red Hot Chili Peppers faz amanhã (08), às 21 horas, no Credicard Hall, já chega com um condimento extra: os protestos que os estudantes estão fazendo na frente da União Nacional dos Estudantes (UNE) para tentar conseguir um show extra. O grupo mexicano Corporação Interamericana de Entretenimento (CIE) descartou oficialmente um show extra.
Os ingressos para o espetáculo (cerca de 7,5 mil entradas) estão esgotados desde a semana passada. Chegaram a circular boatos de que colocariam mais 500 entradas à venda. Isso não ocorreu e cerca de 300 estudantes foram protestar diante da UNE. Inicialmente, estavam previstos dois shows do Red Hot Chili Peppers - um seria amanhã e outro, sábado. O primeiro show foi cancelado sem justificativa oficial dos promotores.
O Red Hot chega amanhã ao Brasil, vindo de Buenos Aires. Em 1993, quando o grupo se apresentou no Hollywood Rock, já era uma espécie de coqueluche adolescente, com seu som de encaixe perfeito para trilhas sonoras de skatistas - uma mistura movida a hip-hop, punk-rock e trash. Seis anos depois, o fenômeno do culto se estendeu a novos fãs, que chegaram a fazer ontem um abaixo-assinado de mais de 4 mil assinaturas para exigir um show extra da banda.
"Californication" é um bom disco do grupo, puxado pelo rock lânguido e largadão "Scar Tissue", um dos maiores sucessos da temporada. No clipe, eles passeiam num conversível por uma highway californiana. John Frusciante, o guitarrista recentemente trazido de volta ao grupo (após uma bad trip de heroína), toca uma guitarra de braço quebrado no clipe. São garotos da Califórnia perdidos no mundo, eis o que são.
Em entrevista á reportagem, na semana passada, o baixista Flea disse que o Brasil é uma das melhores lembranças de suas andanças pelo mundo. Contou que uma das coisas que o deixou embasbacado ultimamente é o novo disco do Nine Inch Nails
com quem devem tocar no festival "Big Day Out", na Austrália. É um bom sujeito o Flea. Poderia dar um jeito para não deixar 7 mil garotos brasileiros chupando o dedo na frente do faraônico Credicard Hall. Serviço - Red Hot Chili Peppers. Duração: 1h30. Amanhã, às 21 horas. De R$ 25,00 a R$ 90,00. Credicard Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.955, tel. 5643-2500


